Quais foram os artistas que detonaram publicamente Juliano Cazarré após ator bolsonarista divulgar evento com temática red pill
A divulgação de um evento voltado exclusivamente para homens, com tom redpill, idealizado pelo ator bolsonarista, provocou forte repercussão
247 - A divulgação de um evento voltado exclusivamente para homens, com tom redpill, idealizado pelo ator bolsonarista Juliano Cazarré, provocou forte repercussão nas redes sociais e gerou críticas de colegas da classe artística. A iniciativa, intitulada “O farol e a forja”, tem como proposta discutir o que o ator define como resgate dos “valores e a liderança masculina”.
O encontro está previsto para ocorrer entre os dias 24 e 26 de julho, em São Paulo, e deve reunir palestrantes de diferentes áreas, como médicos, psicólogos e teólogos. Segundo o próprio ator, a proposta é promover reflexões sobre o papel do homem na sociedade contemporânea, em um contexto que ele considera marcado por distorções e incompreensões.
A repercussão negativa veio principalmente de atrizes que contestaram o discurso apresentado por Cazarré. Marjorie Estiano foi uma das vozes mais incisivas ao comentar a publicação do colega. “Juliano, você não criou (o discurso que embasa este evento). Você só tá reproduzindo em maior ou menor grau, na verdade, um discurso que já é ampla e profundamente difundido, enraizado e que mata mulheres todos os dias. Por favor, dá uma olhada pra isso”, escreveu.
Já Cláudia Abreu destacou o contexto social brasileiro ao reagir à proposta: “Num país com recorde de feminicídios”. A fala remete ao cenário de violência de gênero no país e reforça a crítica de que iniciativas desse tipo podem ignorar ou minimizar desigualdades estruturais.
Outras artistas também se manifestaram. Elisa Lucinda classificou o projeto como “grande e preocupante delírio” e afirmou que o ator estaria “indo na contramão dos avanços do mundo”. Julia Lemmertz ironizou a proposta ao comentar: “Que Deus tenha piedade dessa nação… Já dizia Eduardo Cunha”.
Já Betty Goffman declarou: “Gente, que criatura incompreensível esse ator, esse homem”.Posicionamento do atorEm publicações recentes, Cazarré defendeu o projeto e afirmou que já foi alvo de críticas anteriores por suas posições. “Juliano Cazarré já foi cancelado várias vezes. Por falar que pai e mãe tem papéis diferentes. Por defender a família. Por não pedir desculpa por ser homem. E, em vez de recuar, ele foi mais fundo”, escreveu, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa.
Em entrevista ao O Globo, o ator também comentou sua visão sobre o cenário atual e rejeitou rótulos políticos. “Tratam todo mundo como inimigos a serem combatidos e nos desumanizam”, afirmou, ao negar identificação com posições partidárias específicas.
Debate sobre gênero e sociedadeA controvérsia evidencia a polarização em torno de temas relacionados a gênero, masculinidade e papéis sociais no Brasil. Enquanto apoiadores veem a proposta como um espaço legítimo de debate sobre identidade masculina, críticos apontam riscos de reforço a estereótipos e discursos considerados ultrapassados.
O episódio também ocorre em um momento de maior atenção pública a temas como violência contra a mulher e desigualdade de gênero, o que amplia a sensibilidade em torno de iniciativas que abordam essas questões.
Até o momento, o evento segue confirmado, e o debate em torno de seu conteúdo continua mobilizando diferentes setores da sociedade, especialmente no meio artístico.
