Subindo a Serra das Russas pela BR-232, a 80 km do Recife, Gravatá abre o agreste pernambucano a 447 metros de altitude com clima de chalé europeu. A cidade ganhou o apelido de Suíça Pernambucana pelos chalés alpinos, fondues e temperaturas que chegam a 15°C no inverno, em pleno Nordeste.
Da Fazenda Gravatá no século XVIII à Suíça Pernambucana
Segundo o Município de Gravatá, a origem está em 1797 ou 1798, quando José Justino Carreiro de Miranda, capitão de ordenanças, tomou posse da Fazenda Gravatá. O local servia de hospedagem para viajantes que levavam açúcar e gado do Recife para Caruaru, Pesqueira e Arcoverde.
O nome vem do tupi Karawatã, que significa “mato que fura”, em referência à bromélia gravatá comum na região. A povoação virou freguesia pela Lei Provincial 422 em 25 de maio de 1857, foi elevada a cidade em 13 de junho de 1884 e teve emancipação política em 15 de março de 1893, data celebrada como aniversário.

Por que essa cidade pernambucana virou referência em chalés europeus e fondue?
A vocação turística se consolidou com a construção da BR-232 em 1950, que encurtou a viagem do Recife e venceu o desafio da Serra das Russas. A altitude de 447 metros e o microclima criaram condições para chalés inspirados na arquitetura suíça e europeia, com lareiras e cardápios adaptados.
Hoje a cidade integra a Rota Luiz Gonzaga da Empetur e participa do Circuito do Frio de Pernambuco ao lado de Garanhuns e Triunfo. Restaurantes como Taverna Suíça, La Fondue Unique e Barito Fondue firmaram a tradição de fondues de queijo, carne e chocolate em meio aos morros do agreste.

O que fazer entre Polo Moveleiro, mirantes e cachoeiras?
As atrações se dividem entre o centro urbano com arquitetura europeia e a zona rural com cachoeiras e fazendas de flores. Dois ou três dias dão para conhecer com calma.
- Polo Moveleiro: na Rua Duarte Coelho, concentra cerca de 300 metros de lojas de móveis rústicos em madeira maciça (maçaranduba, angelim) e artesanato local, com cafeterias, fondues e chocolaterias.
- Alto do Cruzeiro: mirante a 600 metros de altitude com a estátua do Cristo Redentor e a Capela Cristo Rei, acesso pelos 365 degraus da Escadaria da Felicidade.
- Cachoeira da Palmeira: a 17 km do centro, tem três quedas d’água e piscinas naturais formadas pelas bicas, com boa estrutura de banheiros.
- Ponte e Túnel Cascavel: parte da antiga linha ferroviária Great Western Railways entre o Recife e o sertão, hoje cenário para trilhas e rapel de 50 metros.
- Memorial de Gravatá: na antiga cadeia pública construída em 1911, abriga fotografias, móveis e documentos da história local em arquitetura de estilo português.
- Estação do Artesão: na antiga estação ferroviária inaugurada em 2 de janeiro de 1894, comercializa peças da Associação de Artesãos de Gravatá.
- Igreja de Sant’Ana: na praça matriz, construção iniciada em 1816 e concluída em 1822, marco do início do povoado.
Quem deseja planejar uma viagem para conhecer a charmosa Gravatá, no Agreste de Pernambuco, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fui Ser Viajante, que conta com mais de 86 mil visualizações, onde ela apresenta um roteiro completo pela cidade que é conhecida como a “Suíça Pernambucana”, destacando atrações como o Cruzeiro, o Centro Histórico, a gastronomia típica — incluindo o tradicional fondue — e belos passeios pelas cachoeiras da região:
A gastronomia que mistura fondue suíço e tradição nordestina
A cidade combina influência europeia com herança do agreste pernambucano. Os principais restaurantes ficam no Polo Moveleiro e no centro histórico.
- Fondue de queijo, carne e chocolate: especialidade dos restaurantes Taverna Suíça, La Fondue Unique e Barito Fondue, perfeita para as noites frias.
- Buchada de bode: tradição do agreste pernambucano, servida em restaurantes regionais como o Mania Caseira.
- Galinha de cabidela: prato clássico nordestino preparado com sangue da ave, presente nos cardápios locais.
- Carne de charque: especialidade da Charque da Dona Neuza, restaurante mais conceituado nesse preparo na cidade.
- Coxinha do Rei das Coxinhas: rede que começou na cidade e virou referência nas estradas do estado, com unidades pertinho do centro.
A cidade que produz 80% das flores de Pernambuco
O cultivo de flores começou nos anos 1960 e ganhou força nas últimas décadas. Segundo a Prefeitura de Gravatá, o município responde hoje por 80% da produção de flores do estado, com destaque para gérberas, crisântemos, rosas, lírios e flores do campo.
São mais de 200 produtores locais cadastrados pela associação Floragreste. O Beco do Pipiri é famoso pelo comércio popular de mudas e ramalhetes. O evento Tardes no Polo Moveleiro promove edições temáticas como a Flores de Gravatá para valorizar a produção local.
Como é o clima ao longo do ano na Suíça Pernambucana?
O clima semiárido de altitude tem temperatura média anual de 22°C, com mínimas que podem chegar a 15°C nos meses mais frios. A Serra das Russas provoca chuvas orográficas, que concentram a maior parte da precipitação no inverno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Suíça Pernambucana saindo do Recife
A cidade fica a 80 km do Recife, cerca de 1h30 pela BR-232 duplicada. O Aeroporto Internacional do Recife é o principal acesso aéreo, com transfer ou ônibus rodoviário para a cidade. Caruaru fica a 50 km e Maceió a 240 km pela BR-104. A cidade tem rodoviária própria com ligações regulares para as principais cidades pernambucanas.
Conheça a cidade pernambucana onde se come fondue em meio às bromélias
Poucos lugares no Nordeste conseguem reunir chalés de inspiração suíça, cachoeiras do agreste e a maior produção de flores temperadas da região em um só território. A primeira cidade do agreste entrega tudo isso a uma hora e meia do Recife.
Você precisa subir a Serra das Russas no inverno e entender por que essa cidade virou refúgio dos pernambucanos em busca de frio sem sair do estado.

