A neblina que cobre as manhãs do norte paranaense, as avenidas largas em traçado de cidade-jardim e um lago com paisagismo de Burle Marx no centro urbano. Londrina, no norte do Paraná, é a segunda maior cidade do estado, fundada por ingleses em 1934 e batizada em homenagem direta à capital britânica.
A história inglesa que batizou a cidade
A origem de Londrina está em 1924, quando o escocês Lord Lovat percorreu o norte do Paraná a convite do governo brasileiro e se impressionou com a fertilidade da terra roxa. Após o fracasso de uma plantação de algodão, a missão britânica criou a Paraná Plantations Ltd., sediada em Londres, e sua subsidiária brasileira, a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). O primeiro marco foi fincado em 21 de agosto de 1929.
O nome foi sugerido por João Domingues Sampaio, um dos diretores da companhia, como homenagem direta à capital inglesa, reforçado pela neblina matinal que lembrava o clima londrino. A fundação oficial do município veio em 10 de dezembro de 1934. Nos anos 1950, a região se tornou um dos maiores polos produtores do mundo e ganhou o título de Capital Mundial do Café. A Geada Negra de 1975 destruiu os cafezais, mas a cidade já tinha universidades, hospitais e comércio fortes o suficiente para se reinventar como centro de serviços, agronegócio e tecnologia.

Vale a pena viver na cidade do norte paranaense?
O destino reúne números relevantes em rankings nacionais de qualidade de vida e arborização urbana. Os principais reconhecimentos da cidade são:
- Entre as 10 melhores cidades do Brasil em qualidade de vida: figura entre os 10 municípios com mais de 500 mil habitantes (excluindo capitais) com melhor desempenho no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, alcançando 67,73 pontos, conforme divulgado pelo Governo do Paraná em maio de 2026.
- 3ª melhor do Paraná em Fundamentos do Bem-estar: pontuação de 74,94, atrás apenas de Curitiba e Maringá, segundo o mesmo IPS 2026.
- 6ª cidade mais arborizada do Brasil: 96,8% das vias urbanas com pelo menos uma árvore entre municípios com mais de 100 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, conforme reportagem da Folha de Londrina.
- Top 15 nacional em acessibilidade urbana: 11ª posição em vias com rampas para cadeirantes (38,5%) e destaque em calçadas sem obstáculos, segundo o mesmo Censo 2022.
- 2ª maior cidade do Paraná: cerca de 580 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, e principal polo econômico do norte do estado.
- Polo universitário do interior: sede da Universidade Estadual de Londrina (UEL), fundada em 1970, e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

O que fazer e onde comer bem na Pequena Londres?
O destino combina parques arborizados, museus do ciclo do café e arquitetura modernista em um centro urbano compacto. Entre as principais atrações da cidade, destacam-se:
- Lago Igapó: cartão-postal da cidade, formado pelo represamento do Ribeirão Cambé com paisagismo de Burle Marx, dividido em quatro lagos com pistas de caminhada, ciclovias e área para esportes náuticos.
- Catedral Metropolitana de Londrina: dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, com formato cônico que pode ser visto de várias partes da cidade.
- Jardim Botânico de Londrina: área de 48 hectares inaugurada em 2006, com trilhas ecológicas, lagos, estufas de bromélias e orquídeas e entrada gratuita.
- Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss: instalado na antiga estação ferroviária, preserva a saga da colonização britânica e do ciclo do café.
- Cine Teatro Ouro Verde: inaugurado em 1952 com capacidade para 1.500 pessoas, é tombado como Patrimônio Histórico do Paraná e foi restaurado após um incêndio em 2012.
- Praça da Imigração Japonesa: homenagem à colônia japonesa que ajudou a construir a cidade, com torii vermelho e jardim oriental.
- Salto do Apucaraninha: cachoeira de aproximadamente 116 metros de altura na região, a cerca de 70 km do centro de Londrina.
A culinária local reflete a diversidade de imigrantes italianos, japoneses, alemães e árabes que formaram a cidade. Os sabores indispensáveis em Londrina são:
- Café especial paranaense: tradição mantida desde o ciclo cafeeiro, com cafeterias e torrefações artesanais espalhadas pelo centro.
- Comida japonesa: a forte colônia nipônica deixou rodízios, temakerias e restaurantes tradicionais como herança gastronômica.
- Comida italiana: massas frescas, pizzas em fornos a lenha e cantinas familiares no centro e nas zonas residenciais.
- Esfiha e quibe árabes: tradição dos imigrantes libaneses e sírios, com casas conhecidas no centro da cidade.
- Carnes nobres: a região do Norte do Paraná é forte produtora de carne, com churrascarias e steakhouses concorridas.
Quem busca descobrir os encantos da “Pequena Londres” no interior paranaense, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Araujos por aí , que conta com mais de 4.200 visualizações, onde os apresentadores mostram a gastronomia, curiosidades e o que fazer em Londrina:
Quando ir e o que fazer em cada estação na cidade-jardim
O destino tem clima subtropical, com verões quentes e chuvosos e invernos amenos a frios. A média de chuvas em maio é de 100 mm, segundo o Climatempo, com temperaturas que podem cair abaixo de 10°C no inverno.
A tabela a seguir resume o que aproveitar em cada parte do ano:
O outono e o inverno são as melhores épocas para visitar a cidade, com clima seco, céu aberto e temperaturas amenas ideais para passeios pelo Lago Igapó e pelo Jardim Botânico. No verão, as chuvas de fim de tarde fazem parte da rotina, mas os esportes náuticos no Lago Igapó ganham movimento. A primavera concentra eventos culturais, com destaque para o Festival Internacional de Londrina (FILO), um dos maiores eventos de teatro do Brasil, realizado tradicionalmente em junho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à segunda maior cidade do Paraná
A cidade fica a 388 km de Curitiba e a aproximadamente 530 km de São Paulo. O Aeroporto Governador José Richa, mais conhecido como Aeroporto de Londrina (LDB), recebe voos diários de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas, com cerca de 1 hora de voo a partir de Guarulhos. Por estrada, o acesso vindo de Curitiba se dá pela BR-376 e BR-369, em viagem de cerca de 5 horas. De São Paulo, o caminho mais comum é pela Rodovia Castelo Branco e Raposo Tavares até a BR-369, em aproximadamente 7 horas de carro. Ônibus rodoviários partem do Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo, e do Terminal Rodoviário de Curitiba com frequência diária.

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Conheça a herança britânica do norte paranaense
A Pequena Londres entrega quase um século de história, com avenidas largas em traçado de cidade-jardim, 96,8% das ruas arborizadas e um dos melhores índices de qualidade de vida do Brasil em uma cidade de pouco menos de 600 mil habitantes. Poucos destinos do interior brasileiro reúnem essa combinação de planejamento urbano britânico, herança cafeeira e infraestrutura de capital.
Você precisa caminhar pelo Lago Igapó ao pôr do sol, tomar um café especial paranaense em uma torrefação tradicional e descobrir por que a homenagem à capital inglesa pegou no norte do Paraná.




