Gramado não nasceu turística. Foi parada de tropeiros no fim do século 19, recebeu açorianos, alemães e italianos, e só virou município em 1954. Hoje, encravada na Serra Gaúcha a 830 metros de altitude, atrai visitantes o ano inteiro com festival de cinema desde 1973 e o maior evento natalino do Brasil.
De parada de tropeiros a vitrine europeia nas montanhas
A ocupação da região começou por volta de 1875, com famílias de origem açoriana que usavam o lugar como ponto de descanso no caminho entre as colônias do Rio Grande do Sul. Pouco depois chegaram os imigrantes alemães e, em seguida, descendentes de italianos vindos da vizinha Caxias do Sul.
Essa mistura moldou a arquitetura enxaimel, a gastronomia e até o sotaque local. O município foi criado oficialmente pela Lei 2.522, de 15 de dezembro de 1954, depois de se emancipar de Taquara. Em poucas décadas, a vocação turística substituiu a economia agrícola, e o investimento em paisagismo e ornamentação transformou a cidade em uma versão serrana da Floresta Negra alemã.

A festa que começou com 700 cantores e virou o maior Natal do país
O Natal Luz nasceu em 26 de dezembro de 1986, quando mais de 700 cantores e 20 Papais Noéis saíram do Lago Joaquina Rita Bier rumo à Igreja Matriz São Pedro. A inspiração veio das festas natalinas do interior da Alemanha, e a comunidade local financiou a compra das primeiras lâmpadas decorativas.
A 40ª edição do evento foi confirmada pela Prefeitura de Gramado como histórica, com 24 apresentações do espetáculo Nativitaten no Centro de Eventos Serra Park e 37 exibições do desfile na Avenida das Hortênsias. Em outubro de 2024, o Portal do Estado do Rio Grande do Sul registrou o lançamento da 39ª edição com investimento de R$ 30 milhões em divulgação nacional. Toda a programação oficial fica disponível pelo site da Gramadotur, autarquia municipal de turismo.
O que fazer em Gramado entre cinema parques e chocolate artesanal
A cidade concentra dezenas de atrações em um raio curto. Dá para combinar parque temático pela manhã, almoçar no centro e terminar o dia em um mirante coberto por hortênsias.
- Lago Negro: lago artificial cercado por hortênsias e árvores trazidas da Floresta Negra alemã, com passeio de pedalinho e trilha curta ao redor.
- Mini Mundo: parque ao ar livre com réplicas em miniatura de construções famosas, feitas com detalhes artesanais.
- Snowland: primeiro parque de neve indoor das Américas, inaugurado em 2013, com pista de patinação e estação de esqui.
- Palácio dos Festivais: sede oficial do Festival de Cinema desde os anos 1980, com mais de mil lugares e a estatueta do Kikito na fachada.
- Rua Coberta: avenida fechada com mesas ao ar livre, cervejarias e cafés, ponto de encontro no centro.
A gastronomia é capítulo à parte. A culinária local mistura herança alemã, italiana e gaúcha, sempre com chocolate envolvido.
- Café colonial: mesa farta com cucas, geleias, embutidos, queijos artesanais, pão de milho e strudel.
- Fondue: trio clássico de queijo, carne e chocolate, presença obrigatória no inverno gramadense.
- Galeto al primo canto: frango assado servido com polenta, radicchio e massa, receita dos imigrantes italianos.
- Chocolate artesanal: trufas, barras e pralinés produzidos em fábricas com tour aberto à visitação.
- Vinhos e espumantes da serra: rótulos do Vale dos Vinhedos servidos em adegas e jantares temáticos.
Quem sonha em descobrir o melhor destino de inverno do país, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 233 mil visualizações, onde Fabi Cassol traz um roteiro completo com preços e dicas para economizar e aproveitar o famoso Lago Negro e a gastronomia em Gramado:
O Kikito de bronze que decide o cinema brasileiro desde 1973
Entre 10 e 14 de janeiro de 1973, Gramado sediou a primeira edição do Festival de Cinema de Gramado, oficializado pelo Instituto Nacional de Cinema (INC). A estatueta do Kikito, esculpida em bronze com 33 cm de altura, foi criada pela artesã Elisabeth Rosenfeld e representa o deus do bom humor, símbolo da cidade que já existia antes do prêmio.
O evento é o mais longevo festival de cinema ininterrupto do Brasil, conforme registra a página oficial do Festival de Cinema de Gramado. Em 1992, passou a premiar também produções ibero-americanas, ampliando o escopo para toda a América Latina. O Palácio dos Festivais virou sede definitiva nos anos 1980 e abriga até hoje as exibições oficiais e o tapete vermelho.
Quando ir e o que esperar do clima na Serra Gaúcha
Reconhecida pelas quatro estações bem marcadas, Gramado tem inverno frio com geadas eventuais e raras nevadas, além de verões amenos para o padrão brasileiro. Veja como cada estação se comporta:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno é a estação mais procurada por causa do fondue e da lareira acesa, mas o fim de outubro até janeiro concentra a maior multidão graças ao Natal Luz. A primavera enche os jardins com as hortênsias que dão nome à região, e o verão equilibra dias claros com chuvas frequentes à tarde.
Como chegar até a vitrine europeia da Serra Gaúcha
A cidade fica a cerca de 120 km de Porto Alegre, com acesso principal pela RS-115, e a 70 km do aeroporto de Caxias do Sul. Quem desembarca no Aeroporto Internacional Salgado Filho segue por rodovia em uma viagem de aproximadamente duas horas, com paisagem que muda do plano gaúcho para a subida da serra. Não existe aeroporto comercial em Gramado.
Suba a serra e descubra a Europa em miniatura
Gramado combina herança alemã e italiana, festival de cinema com meio século de história e uma temporada natalina que move a cidade por quase três meses. A serra entrega clima ameno, chocolate artesanal e arquitetura que parece importada da Bavária.
Você precisa subir a serra e conhecer Gramado, a cidade gaúcha onde o cinema brasileiro encontra a Europa o ano inteiro.

