Quase três séculos depois da chegada dos bandeirantes paulistas que encontraram ouro às margens do Rio das Almas, Pirenópolis mantém a planta urbana intacta e adicionou ecoturismo ao roteiro colonial. A vila goiana, a 150 km de Brasília, virou destaque internacional em 2026 ao entrar na lista dos destinos mais acolhedores do mundo.
O ciclo do ouro nasceu em 1727 e deixou a primeira matriz tombada de Goiás
O arraial nasceu em 7 de outubro de 1727 como Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, ponto de parada entre o garimpo e a antiga capital Vila Boa. O nome atual veio depois, em homenagem aos Pireneus, a cordilheira entre França e Espanha. A vila cresceu em torno da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, iniciada em 1728 e considerada o templo mais antigo de Goiás.
Em 1941, a matriz foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e tornou-se o primeiro monumento protegido do Centro-Oeste brasileiro. Quase 50 anos depois, em 1990, o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico da cidade inteira recebeu tombamento federal, segundo registro oficial do portal de turismo da Prefeitura de Pirenópolis. A Festa do Divino Espírito Santo, celebrada desde 1819, virou Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 15 de abril de 2010, conforme o Banco de Bens Culturais Registrados do IPHAN.

A Booking colocou a vila no top 10 mundial em 2026
Em fevereiro de 2026, a Booking.com divulgou o Traveller Review Awards e incluiu Pirenópolis entre os 10 destinos mais acolhedores do mundo, ao lado de Montepulciano (Itália), Magong (Taiwan), San Martín de los Andes (Argentina) e Harrogate (Reino Unido). O ranking se baseia em mais de 370 milhões de avaliações verificadas de viajantes e considera a proporção de acomodações premiadas em cada cidade, conforme divulgação oficial da Booking.com.
O reconhecimento internacional somou-se à tradição cultural já consolidada. As Cavalhadas, encenação a cavalo das batalhas medievais entre mouros e cristãos na Península Ibérica, completam 200 anos em 2026 e atraem visitantes de todo o país nos três dias seguintes ao Domingo de Pentecostes. Junto delas, os Mascarados de papel machê percorrem as ruas com brincadeiras coloridas.

O que fazer em Pirenópolis entre cachoeiras, museus e ruas de pedra
O município reúne mais de 80 cachoeiras catalogadas na Serra dos Pireneus, e o centro histórico mantém casarões coloniais com fachadas preservadas. Algumas atrações são paradas obrigatórias:
- Cachoeira do Abade: antiga mina de ouro do século 18, hoje com trilhas, pontes suspensas e poço de 900 m² para banho.
- Cachoeira do Rosário: queda livre de 42 metros em meio à mata, uma das mais fotografadas da região.
- Pico dos Pireneus: a 1.385 metros de altitude, ponto mais alto da região, com vista que alcança Anápolis e Brasília em dias claros.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: templo de 1728, reconstruído após incêndio em 2002, símbolo do ciclo do ouro goiano.
- Museu das Lavras de Ouro: fazenda centenária com ruínas de garimpos, canais de lavagem de pedra e ferramentas originais do século 18.
- Theatro de Pirenópolis: palco histórico do século 19, ainda ativo nas apresentações da Festa do Divino.
A gastronomia local mistura herança goiana, ingredientes do Cerrado e doces conventuais, presença forte nos restaurantes e cafés ao redor da matriz.
- Empadão goiano: massa robusta recheada com frango, guariroba, queijo, ovos e azeitona, prato símbolo da cozinha do estado.
- Galinhada com pequi: arroz cozido com galinha caipira e o fruto típico do Cerrado, servido em panela de pedra-sabão.
- Pamonha e curau: vendidos em barracas e pamonharias, preparados com milho fresco da região.
- Alfenim: doce de açúcar moldado em formato de animais, tradição da Festa do Divino e produzido por famílias locais.
- Cachaças artesanais: alambiques da Serra dos Pireneus produzem rótulos premiados, vendidos em lojas do centro.
Quem tem o desejo de vivenciar um rico roteiro histórico e cultural, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 114 mil visualizações, onde os apresentadores mostram as belezas coloniais, histórias e a gastronomia de Pirenópolis:
Quando ir e o que esperar do clima em Pirenópolis
O clima é tropical sub-úmido com duas estações bem definidas, segundo o portal oficial de turismo do município. Veja como cada época se comporta:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O outono concentra o calendário cultural, com a Festa do Divino e as Cavalhadas em maio. O inverno é a melhor janela para trilhas longas e o Pico dos Pireneus, sem chuva e com ar seco do Cerrado. O verão enche as cachoeiras de volume e atrai turistas em busca de banho de poço.
Como chegar até Pirenópolis no coração do Cerrado goiano
A cidade fica a cerca de 120 km de Goiânia e 150 km de Brasília, no meio do caminho entre as duas capitais. Saindo de Brasília, a rota mais usada segue pela BR-070, com conexão pela BR-414 e GO-225, passando por Águas Lindas, Cocalzinho e Corumbá de Goiás, em cerca de 2h30. Saindo de Goiânia, o trajeto principal é pela BR-060/BR-153 até Anápolis e segue pela GO-431 ou GO-338 em pouco menos de 2 horas. Linhas regulares de ônibus saem das duas capitais. Não há aeroporto comercial em Pirenópolis, e quem vem de avião desembarca em Brasília ou Goiânia.
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Conheça a cidade goiana que o mundo elegeu acolhedora
Pirenópolis combina ouro colonial, 80 cachoeiras, Cavalhadas com 200 anos e o reconhecimento da Booking como uma das cidades mais hospitaleiras do planeta em 2026. O Cerrado, a serra e o centro tombado pelo IPHAN formam o pano de fundo dessa vila que cresceu sem perder o ritmo do interior.
Você precisa visitar Pirenópolis, a cidade goiana onde o ouro de três séculos atrás divide espaço com cachoeiras a céu aberto e festas que entraram para a história do país.

