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Cientistas descobrem criatura misteriosa no Grande Lago Salgado e ela não existe em nenhum outro lugar da Terra

31 de maio de 2026, 17:15 h
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Cientistas descobrem criatura misteriosa no Grande Lago Salgado — e ela não existe em nenhum outro lugar da Terra

A descoberta do nematódeo Diplolaimelloides woaabi revela um sobrevivente ancestral adaptado à extrema salinidade ambiental.

Cristobal Mopi

Cristobal Mopi

  • 🔬
    Análise laboratorial: O processo demandou análises minuciosas para diferenciar o animal de outros nematódeos conhecidos.
  • 🗺️
    Mapeamento inédito: O ser vivo foi localizado especificamente em biofilmes que cobrem o fundo lamacento.
  • 🌿
    Nome ancestral: O nome batizado homenageia uma tribo nativa local que sugeriu o termo tradicional.

Como essa criatura misteriosa foi encontrada no lago?

A identificação desse organismo ocorreu durante expedições minuciosas de amostragem ambiental que utilizavam caiaques e bicicletas para explorar as margens da região. Uma pesquisadora notou a presença sutil dos pequenos seres vivos nos microbialitos, que representam estruturas minerais antigas semelhantes a recifes no fundo do leito salino. A confirmação oficial de que se tratava de uma espécie inédita exigiu mais de três anos de estudos laboratoriais detalhados e exaustivos.

Para obter a comprovação taxonômica definitiva, a equipe de pesquisadores utilizou técnicas modernas, como o sequenciamento genético completo e exames de microscopia eletrônica de varredura. Esses métodos de precisão ajudaram a isolar o material coletado e permitiram mapear os principais dados obtidos durante a pesquisa de campo:

Cientistas descobrem criatura misteriosa no Grande Lago Salgado — e ela não existe em nenhum outro lugar da Terra
A nova espécie de lombriga descoberta no Grande Lago Salgado abriga uma impressionante capacidade de sobrevivência em águas hipersalinas e recebeu um nome indígena em homenagem às terras ancestrais da tribo Shoshone — Créditos: Laboratório Werner/Universidade de Utah

Quais são as características físicas desse microrganismo?

O minúsculo animal microscópico recebeu o nome oficial de Diplolaimelloides woaabi e exibe dimensões corporais extremamente reduzidas. Ele mede menos de um milímetro e meio de comprimento total, sendo praticamente invisível a olho nu. Apesar desse tamanho diminuto, sua estrutura anatômica interna revela-se complexa e perfeitamente adaptada para garantir a sobrevivência eficiente no ambiente hostil marcado pela alta salinidade do reservatório.

Por meio do uso de potentes lentes de aproximação, os especialistas conseguiram identificar com precisão traços morfológicos muito específicos em seu corpo translúcido. Os exames laboratoriais detalhados revelaram diversos elementos biológicos marcantes que diferenciam de forma definitiva esse organismo de outras famílias de vermes:

  • Manchas oculares sensíveis que auxiliam na orientação dentro do ecossistema aquático escuro.
  • Lábios fundidos e uma cavidade bucal em formato de funil adaptada para a alimentação eficiente.
  • Cerdas sensoriais curtas espalhadas pela superfície cutânea para detectar variações no ambiente externo.

De onde surgiu esse ser vivo tão resistente?

A origem evolutiva exata dessa nova espécie continua sendo um dos maiores enigmas para a comunidade de estudiosos. Uma das hipóteses principais aponta que esses vermes microscópicos podem ser sobreviventes ancestrais isolados desde o Período Cretáceo, época em que uma fenda marinha cobria a região de Utah. Desse modo, os animais teriam permanecido protegidos após as mudanças geológicas ocorridas no continente.

Outra possibilidade considerada pelos pesquisadores indica que esses microrganismos colonizaram o local de maneira mais recente através do transporte por aves migratórias. Os pequenos nematódeos poderiam ter sido transportados na lama presa às patas ou fixados nas penas dos pássaros que viajam longas distâncias entre diferentes reservatórios salgados.

Como a nova espécie impacta o ecossistema local?

A constatação da existência desse verme altera a percepção tradicional sobre a dinâmica da teia alimentar local, que antes era considerada extremamente restrita. Antes desse achado histórico, os únicos seres conhecidos que toleravam a extrema concentração salina eram moscas específicas e os pequenos camarões de salmoura. O novo habitante microscópico passa a ocupar uma função ecológica fundamental diretamente na base do sistema de nutrição.

Essas criaturas vivem associadas aos tapetes de algas que revestem as rochas submersas do lago, onde encontram abrigo seguro. Ao interagir diretamente com a colônia de bactérias presente, o pequeno nematódeo desempenha atividades essenciais que se refletem perfeitamente nos pontos descritos a seguir:

  • Regulação populacional de microrganismos por meio do consumo constante de bactérias superficiais.
  • Indicador ambiental de extrema utilidade para medir as variações na água.
  • Suporte importante para entender como a vida se comporta sob severo estresse hídrico.
Cientistas descobrem criatura misteriosa no Grande Lago Salgado — e ela não existe em nenhum outro lugar da Terra
A variação reprodutiva do novo microrganismo em laboratório intriga pesquisadores e indica forte influência da pressão ambiental.

Por que a proporção entre os gêneros intriga os pesquisadores?

Durante as coletas realizadas no habitat de amostragem, os pesquisadores notaram um padrão de comportamento reprodutivo profundamente intrigante e fora do comum. Nas amostras de água coletadas no lago, a quantidade de indivíduos machos era inferior a um por cento de toda a população. Esse tipo de proporção sugere uma estratégia de sobrevivência especializada, moldada pelo próprio ambiente extremo.

No entanto, quando os exemplares foram criados e multiplicados dentro de um ambiente controlado em laboratório, a taxa de machos subiu para cinquenta por cento. Essa alteração radical indica que as severas pressões ambientais do ecossistema exercem um papel decisivo no desenvolvimento reprodutivo das espécies, abrindo caminhos para investigações futuras.

Referências: “Great Salt Lake roundworm gets Shoshone name”, do autor Brian Maffly, publicado em 11 de dezembro de 2025 na revista @theU (The University of Utah).

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