Total de galáxias: O fotógrafo Cornelis Van Zuilen registrou 548 galáxias em um único registro fotográfico.
Tempo de dedicação: Foram necessárias mais de 60 horas de observações e processamento de dados para concluir a imagem.
Alvo astronômico: O projeto focou no famoso Triplete de Leo, um grupo de galáxias a milhões de anos-luz.
A captura de imagens altamente detalhadas do espaço profundo costuma ser associada a grandes observatórios científicos ou telescópios espaciais bilionários orbitando a Terra. No entanto, um feito impressionante realizado a partir de uma varanda residencial nos Países Baixos provou que a tecnologia atual permite conquistas extraordinárias para astrônomos amadores. Ao registrar uma única fotografia contendo centenas de sistemas estelares distantes, um entusiasta chocou a comunidade científica mundial com sua enorme dedicação e paciência.
Como surgiu a ideia de registrar centenas de galáxias da própria casa?
O responsável por essa proeza viral é o fotógrafo amador Cornelis Van Zuilen, que decidiu ir muito além do mapeamento convencional de corpos celestes isolados. Em vez de focar apenas no brilho individual de estrelas próximas, o astrônomo estabeleceu uma meta audaciosa para o seu projeto pessoal, registrar de forma detalhada o famoso Catálogo Messier, que consiste em uma lista histórica de objetos astronômicos.
O ponto de partida central para esta imagem específica foi o desejo de retratar o chamado Triplete de Leo de uma maneira nunca antes vista por amadores. Para alcançar um nível de nitidez profissional, o fotógrafo planejou registrar elementos complexos e sutis daquela região espacial, incluindo os seguintes componentes fundamentais:
- A estrutura espiral da galáxia M65
- Os detalhes marcantes da galáxia espiral M66
- A gigantesca cauda de maré pertencente à NGC 3628

Quais equipamentos e prazos tornaram esse registro possível?
A realização desse trabalho monumental dependeu diretamente da escolha de ferramentas ópticas precisas por parte do fotógrafo holandês. O astrônomo amador utilizou um telescópio Askar 103APO, equipamento adquirido no final do ano de 2024, que garantiu a distância focal necessária para capturar a luz vinda de estruturas situadas a profundidades extremas do universo.
A persistência temporal também desempenhou um papel indispensável, já que a captação dos dados começou em abril de 2026 e se estendeu por dezoito noites de céu limpo. Para obter o resultado final com a qualidade desejada, o processo envolveu uma triagem rigorosa com as seguintes etapas cronológicas e numéricas:
- Coleta inicial de oitenta e cinco horas de dados astronômicos brutos
- Seleção criteriosa de pouco mais de sessenta horas de material aproveitável
- Eliminação de imagens que não cumpriam os exigentes padrões de qualidade
Onde ocorreu a captação dessa incrível imagem astronômica?
Ao contrário do que muitos poderiam imaginar inicialmente, o fotógrafo experiente não precisou viajar para desertos isolados ou picos de montanhas distantes para fugir da poluição luminosa das cidades. Todo o acompanhamento minucioso e o registro dos dados celestes foram realizados a partir da varanda do apartamento do próprio fotógrafo, mostrando o potencial real da tecnologia doméstica atual para fins científicos.
O cenário urbano escolhido para essa grande jornada de observação astronômica foi o pequeno povoado de Heiloo, localizado na província de Holanda Septentrional. Essa escolha provou que ambientes residenciais comuns podem perfeitamente servir como base para investigações profundas e detalhadas do cosmos, inspirando outros entusiastas da astrofotografia moderna pelo planeta.
Quais detalhes cósmicos foram revelados na fotografia final?
O resultado final obtido após semanas de dedicação revelou detalhes impressionantes que normalmente são vistos apenas em imagens geradas por grandes observatórios científicos mundiais. No centro da composição, destaca-se com enorme nitidez o perfil da NGC 3628, popularmente conhecida pela comunidade como Galáxia Hamburguesa devido à sua marcante faixa central de poeira escura.
Outro elemento espetacular revelado pelo sensor fotográfico foi a cauda de maré que se projeta dessa mesma galáxia, uma estrutura colossal que mede cerca de trezentos mil anos-luz de comprimento e surgiu após interações gravitacionais antigas. Além desses corpos principais, o mapeamento revelou outros segredos cósmicos distribuídos por todo o enquadramento fotográfico:
- Centenas de pontos de luz correspondentes a galáxias distantes
- Sistemas estelares situados a centenas de milhões de anos-luz da Terra
- Estruturas espirais nítidas pertencentes aos aglomerados vizinhos

Como as galáxias ocultas foram identificadas na imagem?
A revelação e a contagem exata das quinhentas e quarenta e oito galáxias na imagem final só foram possíveis graças ao uso de ferramentas digitais avançadas de processamento. O fotógrafo utilizou o software PixInsight, um programa especializado em astrofotografia, amplamente respeitado por amadores e também por cientistas, que permitiu combinar, analisar e realçar cada ponto luminoso registrado.
Cada minúsculo ponto identificado na imagem final representa um sistema complexo composto por bilhões de estrelas isoladas, muitas vezes localizado a distâncias perfeitamente inimagináveis para a nossa mente. Assim, o registro funciona como uma verdadeira janela para o passado cósmico, já que a luz capturada diretamente na varanda iniciou sua longa viagem muito antes do surgimento da própria humanidade na Terra.
Referências: “Astrophotographer captures breathtaking view of 548 galaxies from a balcony”, da autora Daisy Dobrijevic, publicado em 18 de março de 2026 na revista Space.com.

