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A psicologia afirma que adultos que ouviam constantemente a frase “engole o choro” na infância tendem a desenvolver um perfil emocional com dificuldade crônica de expressar vulnerabilidade nos relacionamentos

12 de junho de 2026, 07:58 h
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A psicologia afirma que adultos que ouviam constantemente a frase "engole o choro" na infância tendem a desenvolver um perfil emocional com dificuldade crônica de expressar vulnerabilidade nos relacionamentos

O que ouvimos na infância pode ecoar por anos.

Nubia Rangel

Nubia Rangel

Curiosidades da Psicologia
  • O choro não é fraqueza: A psicologia explica que o choro é uma das formas mais naturais de regulação emocional que o ser humano possui, e suprimi-lo desde cedo cria bloqueios que a criança carrega para a vida adulta.
  • Silêncio que aparece nos relacionamentos: Sabe quando você sente vontade de pedir ajuda ou se abrir com alguém, mas algo te trava? Esse bloqueio pode ter começado lá na infância, com frases como “para de chorar, não é nada” ou “engole esse choro”.
  • A vulnerabilidade é uma habilidade: Pesquisas em psicologia do desenvolvimento mostram que crianças que puderam expressar livremente suas emoções crescem com maior inteligência emocional e constroem vínculos mais saudáveis e autênticos na vida adulta.

Se você cresceu ouvindo “para de chorar que isso não é motivo pra tanto”, “engole esse choro” ou “você está exagerando”, saiba que não foi só você. Essa frase fez parte da criação de muitas gerações brasileiras, passada de pais para filhos quase como um ensinamento de força e disciplina. Mas a psicologia tem mostrado, cada vez mais, que esse tipo de invalidação emocional na infância deixa marcas profundas, especialmente na forma como nos relacionamos com a nossa própria vulnerabilidade quando adultos.

O que a psicologia diz sobre a repressão emocional na infância

Quando uma criança ouve repetidamente que sua emoção é exagerada, errada ou inconveniente, o cérebro aprende uma lição poderosa: expressar o que sente é perigoso. Esse aprendizado acontece de forma silenciosa, quase automática, e cria o que a psicologia chama de bloqueio emocional. A criança não para de sentir, ela só aprende a esconder. E esse mecanismo de defesa, tão útil naquele momento, vai junto com ela para a vida adulta.

A psicóloga americana Jonice Webb, especialista em negligência emocional na infância, explica que ambientes onde as emoções das crianças são constantemente ignoradas ou ridicularizadas geram adultos com grande dificuldade de reconhecer e nomear o que sentem. Com o tempo, a pessoa perde o contato com suas próprias necessidades emocionais e começa a reagir de forma automática, sem entender muito bem de onde vêm suas reações.

A psicologia afirma que adultos que ouviam constantemente a frase "engole o choro" na infância tendem a desenvolver um perfil emocional com dificuldade crônica de expressar vulnerabilidade nos relacionamentos
Algumas dificuldades emocionais começam de forma silenciosa.

Como isso aparece no nosso dia a dia

Quem cresceu “engolindo o choro” costuma ser aquela pessoa que parece sempre bem, que raramente pede ajuda e que sente um desconforto enorme quando precisa falar sobre o que está sentindo. Nos relacionamentos amorosos, isso pode aparecer como uma dificuldade crônica de se abrir com o parceiro, um medo de parecer fraca ou necessitada demais. Nas amizades, pode surgir como aquela sensação de que “ninguém precisa saber dos meus problemas”.

Nas relações familiares, especialmente para mães, esse padrão também aparece. É difícil mostrar para os filhos que está cansada, sobrecarregada ou triste, porque lá no fundo ainda ressoa aquela mensagem antiga de que demonstrar fragilidade é fraqueza. Mas a psicologia mostra exatamente o contrário: quando conseguimos nos permitir vulneráveis, construímos vínculos muito mais genuínos e ensinamos nossos filhos que sentir é humano e necessário.

Vulnerabilidade nos relacionamentos: o que mais a psicologia revela

A repressão emocional que começa na infância não fica restrita aos momentos de choro. Ela se expande para toda a forma como a pessoa se comunica nos relacionamentos. Adultos que cresceram com suas emoções invalidadas tendem a desenvolver o que os psicólogos chamam de apego evitativo, um estilo de relacionamento em que a pessoa se afasta emocionalmente quando as coisas ficam intensas, justamente para não correr o risco de ser rejeitada ou julgada.

Além disso, a supressão crônica de sentimentos também tem impacto na saúde mental como um todo. Pesquisadores associam esse padrão a níveis mais altos de ansiedade, dificuldade de autoconhecimento e, em alguns casos, ao desenvolvimento de comportamentos de people-pleasing, que é quando a pessoa age sempre para agradar os outros, mesmo que isso a prejudique, porque aprendeu cedo que os próprios sentimentos não têm espaço.

Pontos-chave da psicologia
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O bloqueio começa cedo

Quando a criança aprende que expressar emoções é errado ou exagero, o cérebro cria um mecanismo de defesa que ela carrega para a vida adulta sem perceber.

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Impacto nos relacionamentos

A dificuldade de se mostrar vulnerável nos relacionamentos adultos está diretamente ligada à invalidação emocional vivida na infância, criando distância onde deveria haver afeto.

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Repressão e saúde mental

A supressão crônica de sentimentos está associada a ansiedade, baixa autoestima e dificuldade de autoconhecimento, afetando o bem-estar emocional de forma silenciosa.

A conexão entre o ambiente emocional da infância e o desenvolvimento psicológico do adulto é um tema amplamente estudado pela ciência. Um artigo publicado no SciELO Brasil investiga justamente a importância da expressão emocional nos primeiros anos de vida e pode ser consultado neste estudo sobre a importância de nomear as emoções na infância, que aprofunda como as práticas parentais influenciam diretamente a regulação emocional e a saúde mental futura.

Por que entender isso pode transformar sua vida

Reconhecer esse padrão não é um convite para culpar os pais, que quase sempre agiram com as ferramentas que tinham. É, na verdade, um convite para o autoconhecimento. Quando entendemos de onde vêm certos bloqueios emocionais, ganhamos o poder de escolher agir de forma diferente. É possível, com tempo e muitas vezes com apoio terapêutico, reaprender a nomear o que sente, a pedir ajuda sem culpa e a construir relacionamentos onde a vulnerabilidade tem espaço.

Esse processo também transforma a forma como educamos nossos filhos. Quando uma mãe aprende que o choro da criança é uma comunicação legítima, e não uma birra a ser silenciada, ela quebra um ciclo. Ela entrega para o filho algo que talvez ela mesma não tenha recebido: a mensagem de que sentir é permitido, e que suas emoções têm valor.

A psicologia afirma que adultos que ouviam constantemente a frase "engole o choro" na infância tendem a desenvolver um perfil emocional com dificuldade crônica de expressar vulnerabilidade nos relacionamentos
Vulnerabilidade também faz parte da força emocional.

O que a psicologia ainda está descobrindo sobre repressão emocional

A psicologia continua aprofundando sua compreensão sobre como a invalidação emocional na infância se manifesta ao longo da vida. Estudos mais recentes têm investigado a relação entre esse histórico e o desenvolvimento de traços como a hipervigilância emocional, em que a pessoa fica em constante alerta para não “sentir demais”, e a alexitimia, que é a dificuldade de identificar e descrever as próprias emoções. Essas descobertas reforçam o quanto o cuidado emocional na infância é uma base fundamental para a saúde mental no mundo adulto.

Olhar para essa história com carinho é o primeiro passo. Você não precisava ter engolido aquele choro, e seus sentimentos, hoje como antes, merecem ter lugar. A psicologia está aqui para lembrar disso com gentileza.

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