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A cidade de 22 milhões de habitantes que está afundando diante dos olhos dos cientistas

13 de maio de 2026, 16:39 h
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A cidade de 22 milhões de habitantes que está afundando diante dos olhos dos cientistas

Monumentos históricos já mostram sinais visíveis do problema.

Nubia Rangel

Nubia Rangel

Curiosidades
  • Até 35 cm por ano: Nas áreas mais críticas da Cidade do México, o solo afunda até 35 centímetros por ano — uma taxa tão intensa que as mudanças são visíveis do espaço.
  • Construída sobre um lago asteca: A metrópole foi erguida sobre o leito do antigo Lago Texcoco, e o bombeamento excessivo de água subterrânea é o principal responsável pelo colapso lento do terreno.
  • Satélite NISAR em ação: Lançado em julho de 2025, o satélite NISAR, da NASA, já mapeou o afundamento da Cidade do México com precisão milimétrica, passando sobre a cidade múltiplas vezes por mês.

Imagine uma cidade com mais de 22 milhões de habitantes afundando lentamente, como se o chão estivesse sendo sugado por baixo dos pés de quem vive nela. Isso não é ficção científica: é o que está acontecendo agora na Cidade do México, uma das maiores metrópoles do planeta. Dados recentes do satélite NISAR, lançado pela NASA em julho de 2025, confirmaram que o fenômeno chamado subsidência do solo já atinge taxas alarmantes na capital mexicana, com impactos visíveis em prédios históricos, no metrô, nas ruas e até em monumentos centenários.

O que a ciência descobriu sobre o afundamento da Cidade do México

A Cidade do México foi construída sobre o que um dia foi o Lago Texcoco, o vasto lago onde os astecas ergueram sua civilização. Com o crescimento explosivo da população ao longo do século XX, a cidade passou a bombear quantidades enormes de água dos aquíferos subterrâneos. O problema é que, quando essa água é retirada, as camadas de argila compactam e o terreno vai cedendo. O geofísico Enrique Cabral-Cano, da Universidade Nacional Autônoma do México, alerta que esse processo de subsidência do solo já causa impactos sérios em toda a infraestrutura urbana, afetando desde o sistema de metrô até o abastecimento de água.

Os dados captados pelo NISAR entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, durante a estação seca mexicana, revelaram que partes da cidade afundam cerca de 25 centímetros por ano, chegando a até 35 centímetros nas zonas mais críticas. O mapa gerado pelo satélite usa tons de azul escuro para destacar as regiões onde a perda de elevação supera 2 centímetros por mês. O aeroporto internacional Benito Juárez e seu entorno aparecem como um dos epicentros mais preocupantes dessa subsidência acelerada.

A cidade de 22 milhões de habitantes que está afundando diante dos olhos dos cientistas
O solo cede em ritmo impressionante há décadas.

Como o afundamento do solo afeta a vida de quem mora na cidade

Para quem mora na Cidade do México, os efeitos são bastante concretos. Prédios históricos, como a famosa Catedral Metropolitana, cuja construção começou em 1573, apresentam inclinações visíveis a olho nu. No bairro de Iztapalapa, casas sofreram rachaduras graves e danos estruturais que comprometem a segurança dos moradores. Em 2017, um caso emblemático chamou atenção: um táxi caiu dentro de uma fissura que se abriu repentinamente numa rua, ilustrando de forma dramática o que a subsidência do solo é capaz de fazer no cotidiano urbano.

Um monumento conta essa história com números: o Angel of Independence, erguido em 1910 para marcar o centenário da independência do México, precisou receber 14 degraus extras em sua base ao longo das décadas. O monumento não se moveu. A cidade é que desceu ao seu redor. Os dados do NISAR confirmam que essa área afunda cerca de 2 centímetros por mês, um ritmo que acumula danos invisíveis mas devastadores ao longo dos anos.

Mais de um século afundando: o que os pesquisadores encontraram nos dados históricos

A subsidência do solo na Cidade do México não é novidade. O fenômeno é documentado há mais de cem anos, e os dados históricos mostram que certas regiões acumularam mais de 12 metros de subsidência total em menos de um século, uma perda de elevação equivalente a um prédio de quatro andares que simplesmente desapareceu abaixo do nível original do terreno. As pesquisas científicas também registram taxas que chegaram a 50 centímetros por ano em décadas passadas, quando o bombeamento de água subterrânea era ainda menos controlado do que hoje.

O que muda agora é a capacidade de monitorar tudo isso em tempo quase real. O satélite NISAR, desenvolvido em parceria entre a NASA e a Agência Espacial Indiana (ISRO) e lançado em julho de 2025, é o primeiro a carregar dois radares de abertura sintética operando em frequências diferentes. Isso permite que seus sensores atravessem nuvens, vegetação densa e escuridão sem perder precisão, mapeando movimentos do solo a menos de um centímetro de margem de erro em múltiplas passagens mensais sobre a cidade.

Pontos-chave do estudo
🌊
Leito de lago antigo

A Cidade do México foi erguida sobre o Lago Texcoco. O bombeamento intenso de água subterrânea compacta as camadas de argila, fazendo o solo afundar progressivamente há mais de um século.

📉
12 metros em menos de um século

Algumas regiões da cidade acumularam mais de 12 metros de subsidência total em menos de cem anos, com danos severos a prédios, metrô, ruas e monumentos históricos.

🛰️
NISAR: o satélite da NASA em campo

Lançado em julho de 2025, o satélite NISAR mapeia o afundamento com precisão milimétrica, passando sobre a cidade múltiplas vezes por mês, mesmo em condições de nuvens ou escuridão.

Os dados que embasam essas descobertas têm respaldo científico sólido. Um estudo publicado na revista Scientific Reports avaliou a vulnerabilidade do sistema de metrô da Cidade do México à subsidência do solo usando dados de radar interferométrico por satélite, e pode ser consultado nesta publicação indexada no PubMed, que detalha a metodologia e os mapas de risco identificados pelos pesquisadores.

Por que essa descoberta importa para você

Talvez pareça distante, mas o caso da Cidade do México é um espelho para dezenas de cidades ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que enfrentam problemas similares de subsidência do solo causada pela extração excessiva de água subterrânea. Entender como a gestão inadequada dos recursos hídricos pode transformar uma metrópole inteira em uma área de risco geológico é essencial para que outras cidades não repitam os mesmos erros.

Os cientistas alertam ainda que o problema não é só estrutural: a contínua exaustão do aquífero está diretamente ligada ao risco de uma crise hídrica grave nos próximos anos. Enquanto o solo afunda, a disponibilidade de água para os moradores também diminui, criando um ciclo difícil de romper. Monitorar, compreender e agir sobre esse processo é uma das questões ambientais mais urgentes da urbanização contemporânea.

A cidade de 22 milhões de habitantes que está afundando diante dos olhos dos cientistas
Uma megacidade está mudando diante dos satélites.

O que mais a ciência está investigando sobre a subsidência urbana

O sucesso do NISAR ao mapear a Cidade do México já motivou a equipe científica a expandir o monitoramento para outras metrópoles vulneráveis ao redor do planeta, como Jacarta, Teerã e diversas cidades costeiras da Ásia. A grande questão que geofísicos e engenheiros tentam responder agora é: existe alguma forma de desacelerar o processo antes que os danos se tornem irreversíveis? Reduzir o bombeamento de água subterrânea, diversificar as fontes de abastecimento e recarregar artificialmente os aquíferos são algumas das estratégias em investigação.

A Cidade do México é, ao mesmo tempo, um alerta e um laboratório a céu aberto. Enquanto ela continua descendo centímetro a centímetro, a ciência corre para entender e conter os impactos. Uma lembrança de que o chão que pisamos não é tão sólido quanto parece, e que cuidar dos recursos naturais é, literalmente, uma questão de não afundar.

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