Massacrados por Israel, palestinos assistem à Copa do Mundo entre ruínas de Gaza
Palestinos assistem à Copa do Mundo entre ruínas da Faixa de Gaza, em abrigos e cafés improvisados e sob medo de novos ataques
247 - Massacrados por Israel, palestinos assistem à Copa do Mundo entre ruínas da Faixa de Gaza, em abrigos e cafés improvisados, sob medo de novos ataques, falhas de internet e falta de energia, enquanto atletas e torcedores tentam manter vivo o vínculo com o futebol em meio à destruição deixada pela ofensiva israelense no território, relata a Reuters.
Fadi Al-Arawi, jogador da Premier League da Faixa de Gaza, não entra em campo desde que o esporte profissional foi suspenso com o início da guerra, há mais de dois anos. Como grande parte da população palestina do enclave, ele também já não tem uma casa onde possa acompanhar os jogos da Copa do Mundo pela televisão.
No sábado (13), antes da partida entre Catar e Suíça, Al-Arawi vestiu o antigo uniforme profissional do Gaza Sports Club e exibiu medalhas conquistadas em competições internacionais. A cena ocorreu em Khan Younis, em uma escola transformada em abrigo para palestinos deslocados pela campanha militar de Israel.
Sem estrutura adequada, ele e um grupo de amigos tentavam assistir ao jogo em um laptop, no escuro, dependendo de uma conexão instável. O som de drones israelenses sobrevoando a região fazia parte do ambiente.
“Veja, esta é a internet, está começando a cair e a partida nem começou ainda”, disse Al-Arawi, de 38 anos, à Reuters. “Você consegue ouvir os drones? Podemos viver ou morrer, podemos ser bombardeados”.
Futebol em meio à devastação
Grande parte de Gaza foi destruída e sua infraestrutura ficou severamente danificada durante a ofensiva militar israelense iniciada após os ataques do Hamas em outubro de 2023. Mesmo depois da trégua de outubro de 2025, Israel continuou realizando ataques no território, enquanto o Hamas rejeitou até agora os apelos para entregar suas armas em troca da retirada das tropas israelenses.
Quase toda a população de mais de 2 milhões de palestinos vive hoje em uma estreita faixa costeira controlada pelo Hamas, principalmente em tendas e prédios danificados. Nesse cenário, acompanhar a Copa do Mundo se tornou uma tentativa de preservar alguma normalidade em meio ao deslocamento, ao medo e à precariedade.
Em Gaza City, Alaa Babli, responsável pelo Royal Cafe, instalou duas linhas alternativas de energia e uma bateria reserva para garantir a transmissão dos jogos noturnos quando os geradores movidos a combustível deixam de funcionar depois da meia-noite.
O café foi decorado com bandeiras do Egito e de Marrocos, diante das quais torcedores se reuniram para ver as partidas. Para Hani Abu Rizq, que acompanhava um dos jogos no local, estar em público nunca é uma experiência livre de risco para os moradores de Gaza.
“O café pode ser alvo”, afirmou. “Algo ao meu lado pode ser alvo e eu posso perder minha vida... Mas, apesar de tudo o que estamos sofrendo, seguimos em frente e vamos assistir às partidas”.
Esporte palestino sob impacto da guerra
A Associação Palestina de Futebol afirma que 1 mil atletas estão entre os 73 mil palestinos mortos por Israel na guerra desde 2023. Segundo a entidade, as vítimas incluem crianças, atletas amadores de diferentes modalidades, árbitros e profissionais do esporte.
A associação também afirma que Israel destruiu cerca de 285 instalações esportivas em Gaza. Algumas foram completamente demolidas, enquanto outras foram bombardeadas. De acordo com o relato, forças israelenses converteram estádios em campos de detenção, alguns deles marcados por denúncias de maus-tratos contra prisioneiros, acusações negadas por Israel.
O estádio Al-Yarmouk, em Gaza City, principal arena esportiva do enclave e local onde Al-Arawi e outros jogadores profissionais atuavam diante de milhares de torcedores, foi transformado em uma cidade de tendas para famílias deslocadas.
“Desde a guerra israelense de extermínio em 2023, o esporte palestino tem sido um alvo primário da máquina militar israelense”, disse Mustafa Siam, da Associação Palestina de Futebol.
Para os torcedores e atletas palestinos, a Copa do Mundo passou a ser vista em telas pequenas, conexões instáveis e espaços improvisados. Entre drones, apagões e escombros, o futebol permanece como uma das poucas formas de reunião coletiva em uma Gaza marcada pela devastação.
