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Argentina acusada de racismo é recebida por ex-ministra de Milei

Após deixar o Brasil com autorização judicial, Agostina Páez chega a Buenos Aires, encontra líder da direita argentina e faz declarações polêmicas

'Gracias por todo', escreve Agostina Páez a Patricia Bullrich (Foto: Reprodução/X)

247 - A advogada e influenciadora argentina Agostina Páez, que responde a processo por injúria racial no Rio de Janeiro, foi recebida em Buenos Aires pela senadora Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança Nacional no governo de Javier Milei e uma das principais figuras da direita no país. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.

O encontro ocorreu logo após o retorno de Agostina à Argentina, na última quarta-feira, depois de meses impedida de deixar o Brasil. A influenciadora teve a tornozeleira eletrônica retirada após decisão da Justiça fluminense, condicionada ao pagamento de fiança de R$ 97 mil, o que possibilitou sua viagem.

Ao chegar ao aeroporto Jorge Newbery, na capital argentina, Agostina foi recebida com abraços e flores. Em meio à recepção, fez declarações que repercutiram nas redes sociais, afirmando ser “inimiga número 1 do Brasil” e que brasileiros “tratam mal” os argentinos.

Nas redes sociais, onde reúne mais de 68 mil seguidores, a influenciadora compartilhou registros do reencontro com amigos, familiares e com a própria Bullrich. Em uma publicação com a senadora, escreveu: “Gracias por todo”.

Bullrich também comentou o encontro em suas plataformas digitais. Ao publicar uma foto com Agostina, afirmou que a recebeu “antes de voltar para casa e ficar com a família”. A parlamentar elogiou o trabalho dos advogados que atuaram no caso e mencionou o “apoio inabalável de sua família e o respaldo do governo”.

Em outra publicação, Bullrich declarou: “Hoje só existe uma coisa importante: que está aqui”. Em vídeo gravado ao lado da influenciadora, afirmou ainda que o juiz responsável pelo caso no Rio “disse que tinham feito tudo errado”.

Durante a conversa, Agostina comentou sobre o período em que permaneceu no Brasil sob medidas cautelares: “pararam por três meses”. Em resposta, a senadora disse: “Você viveu uma experiência que irá fortalecê-lo na vida”.

Processo por injúria racial no Rio

O caso envolvendo Agostina Páez teve início em janeiro, quando ela passou a ser investigada por imitar um macaco em frente a um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio, em gestos direcionados a funcionários do estabelecimento. A conduta levou à abertura de processo por injúria racial, crime previsto na legislação brasileira.

Em fevereiro, a argentina chegou a ser presa pela Polícia Civil em um apartamento em Vargem Pequena, na Zona Oeste carioca, mas foi liberada poucas horas depois, após a revogação do mandado de prisão.

Desde então, ela vinha cumprindo medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, enquanto o processo seguia em tramitação.

Decisão judicial permitiu retorno à Argentina

Na última segunda-feira, o juiz Luciano Barreto Silva, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu habeas corpus à influenciadora. Na decisão, criticou a manutenção das medidas cautelares pela instância anterior, mesmo com o avanço do processo.

O magistrado determinou o pagamento de 60 salários mínimos, além da retirada da tornozeleira eletrônica — efetivada na terça-feira — e autorizou a comunicação à Polícia Federal para viabilizar a saída do país.

Dias antes, em 24 de março, havia sido realizada audiência de instrução e julgamento na 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, com a presença da acusada e de três pessoas que relataram ter sido ofendidas.

O processo continua em andamento na Justiça do Rio de Janeiro.

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