Argentina acusada de racismo deixa o Brasil após pagar indenização
Pagamento de R$ 98 mil, metade da indenização proposta pelo Ministério Público, permitiu retirada de tornozeleira e o retorno de Agostina Páez à Argentina
247 - A advogada argentina acusada de racismo deixou o Brasil após pagar cerca de R$ 98 mil como parte de indenização às vítimas, medida que possibilitou a retirada da tornozeleira eletrônica e seu retorno ao país de origem. O caso segue em análise pela Justiça brasileira. O processo tramita na 37ª Vara Criminal e permanece sob segredo de Justiça, sem comentários oficiais do Ministério Público ou do Tribunal de Justiça. As informações são da Folha de São Paulo.
Pagamento e retorno ao país de origem
Agostina Páez embarcou de volta para Buenos Aires nesta quarta-feira (1º), após efetuar o pagamento de R$ 97.620 a três funcionários de um bar no Rio de Janeiro. O valor corresponde à metade da indenização proposta pelo Ministério Público. Com o pagamento, a argentina conseguiu autorização para retirar a tornozeleira eletrônica e deixar o Brasil, embora a ação penal continue em andamento.
Caso ocorreu em bar de Ipanema
O episódio aconteceu no dia 14 de janeiro, em um bar localizado em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. De acordo com a denúncia, durante uma discussão sobre o valor da conta, a advogada chamou um funcionário de “mono”, termo que significa macaco em espanhol. Imagens registraram o momento em que ela faz gestos associados à imitação de um macaco em direção aos trabalhadores do estabelecimento.
Defesa e versão contestada
Na ocasião, a defesa negou que as ações tivessem motivação racista e afirmou que os gestos teriam sido direcionados a amigas da própria argentina, em tom de brincadeira. Essa versão, no entanto, foi contestada pelo Ministério Público.
Pedido de desculpas às vítimas
Em entrevista concedida no consulado, Agostina afirmou que pediu desculpas diretamente às vítimas durante o julgamento. “Cada vítima fazia declarações e ao final disso eu lhes pedia desculpas, em separado, olhando no olho e pedindo-lhes perdão”, declarou.
A advogada de defesa, Carla Junqueira, também comentou o caso em publicação nas redes sociais. Segundo ela, a Justiça brasileira considerou a possibilidade de reabilitação. “Soube reconhecer o erro de uma jovem, mas, ao mesmo tempo, enxergar que esse erro não define uma vida inteira”, escreveu.
Na mesma mensagem, destacou a postura das vítimas. “Foi possível conceder perdão às vítimas, que demonstraram uma generosidade imensa ao compreender que ele aprendeu, se transformou e hoje é outra pessoa”, afirmou.
