Argentina presa no Brasil após cometer racismo posta vídeo nas redes: estou desesperada
A argentina Agostina Páez, de 29 anos, se pronunciou pela primeira vez após a Justiça do Rio de Janeiro decretar sua prisão
247- A argentina Agostina Páez, de 29 anos, se pronunciou pela primeira vez após a Justiça do Rio de Janeiro decretar sua prisão preventiva por ofensas racistas contra funcionários de um bar em Ipanema, na zona sul da capital fluminense. Segundo reportagem do Metrópoles, a decisão foi tomada nesta quinta-feira (5), após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a influencer afirmou estar com medo e disse que se sente injustiçada pela medida. “Neste momento recebi uma notificação de que há uma ordem de prisão preventiva para mim por perigo de fuga, sendo que tenho uma tornozeleira eletrônica e estou à disposição da justiça desde o dia 1. Todos os meus direitos estão sendo violados. Estou desesperada, estou morrendo de medo e faço este vídeo para que a situação seja divulgada”, declarou Agostina.
O episódio que motivou a denúncia ocorreu em 14 de janeiro e foi registrado em vídeo por pessoas que estavam no local. As imagens mostram a turista sendo repreendida pelas próprias amigas enquanto fazia gestos considerados ofensivos. A gravação circulou nas redes sociais e passou a integrar o conjunto de provas analisadas pelas autoridades.
Nesta quinta-feira (5), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro acatou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro e determinou a prisão preventiva da argentina. Por decisão judicial, Agostina está proibida de deixar o Brasil, teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica. A denúncia do MPRJ foi apresentada à Justiça na segunda-feira (2).
De acordo com a ação penal, Agostina estava com duas amigas em um bar na Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, quando discordou do valor da conta e chamou um funcionário do estabelecimento de “negro”, de forma ofensiva, com o propósito de discriminá-lo e inferiorizá-lo em razão de sua raça e cor.
Ainda segundo a denúncia, mesmo após ser advertida pela vítima de que a conduta configurava crime no Brasil, a influencer se dirigiu à caixa do bar e a chamou de “mono” (“macaco”, em espanhol), além de fazer gestos simulando o animal. A conduta, de acordo com o Ministério Público, demonstraria a intenção de ofender e humilhar os trabalhadores do local.
O MPRJ afirma também que, depois de sair do bar, Agostina voltou a praticar novas ofensas racistas. Na calçada em frente ao estabelecimento, ela teria proferido outras expressões, emitido ruídos e feito novamente gestos imitando macaco contra três funcionários do bar.
Na denúncia, o Ministério Público rejeitou a versão apresentada pela argentina de que os gestos teriam sido apenas brincadeiras dirigidas às amigas, “especialmente diante do fato de que uma das turistas tentou impedir Agostina de continuar com as ofensas, o que evidencia a consciência da acompanhante quanto à reprovabilidade da conduta”, diz o MPRJ.
Agostina Páez é advogada e influencer, filha de um empresário do ramo de transportes na Argentina. Ela é natural de Santiago del Estero, no norte do país, e mantém presença nas redes sociais, onde soma mais de 80 mil seguidores no TikTok, embora o perfil esteja atualmente desativado. No Instagram, a conta também se encontra suspensa.