Autoridades da Bolívia anunciam desobstrução de rodovias após sete semanas de bloqueios e protestos
Medida ocorre três dias após o presidente boliviano, Rodrigo Paz, decretar estado de exceção
247 - As autoridades da Bolívia informaram nesta terça-feira (23) que todas as rodovias do país foram desobstruídas, encerrando um ciclo de sete semanas de bloqueios e manifestações contra o governo do presidente Rodrigo Paz. A normalização ocorreu três dias após a entrada em vigor do estado de exceção decretado por Paz, que autorizou a atuação conjunta de policiais e militares para remover as barreiras instaladas em diferentes regiões do país.
Segundo a AFP, o governo afirmou que a medida contribuiu para melhorar o abastecimento em cidades como La Paz e El Alto, que enfrentavam dificuldades devido às interrupções nas estradas. No momento mais crítico da crise, as autoridades chegaram a registrar cerca de cem pontos de bloqueio em rodovias bolivianas.
O ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora, anunciou o fim das obstruções por meio das redes sociais. "Nossas estradas foram liberadas", escreveu o integrante do governo.
Estado de exceção e crise econômica
Os protestos tiveram início em maio, quando sindicatos, organizações indígenas e produtores de coca intensificaram manifestações e bloqueios exigindo a renúncia de Rodrigo Paz. Os grupos também protestavam contra a comercialização de gasolina considerada de baixa qualidade.
As mobilizações ocorreram em meio a uma crise econômica apontada pelo governo como a mais grave das últimas quatro décadas. Na segunda-feira (22), o ex-presidente Evo Morales anunciou a suspensão temporária dos últimos bloqueios ainda mantidos por seus apoiadores. Os pontos restantes estavam concentrados no departamento de Cochabamba, região considerada seu principal reduto político.
Nesta terça-feira (23), os Estados Unidos e outros 15 países do continente divulgaram uma declaração conjunta manifestando "profunda preocupação" com os efeitos dos bloqueios sobre a população boliviana.
No documento, os governos afirmam que tentativas de "minar e depor" a administração de Rodrigo Paz representam uma "grave ameaça para a ordem constitucional e a estabilidade democrática" da Bolívia.
A nota acrescenta: "Apoiamos o governo boliviano eleito de acordo com a Constituição e instamos os grupos mobilizados a priorizar o diálogo e a negociação dentro do marco constitucional".


