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Governo boliviano prende 36 manifestantes em protestos contra Rodrigo Paz

Repressão em La Paz deixou dezenas de feridos após marcha da COB e ampliou tensão sobre possível estado de emergência

Policiais entraram em confronto com manifestantes durante uma marcha de protesto de apoiadores do ex-presidente boliviano Evo Morales, após ele ter sido impedido pela Corte Constitucional da Bolívia de concorrer à eleição presidencial deste ano, em La Paz, Bolívia (Foto: Reuters)
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247 - A repressão a uma mobilização popular no centro de La Paz deixou 36 pessoas detidas e dezenas de feridos nesta quinta-feira (11), em meio ao avanço dos protestos contra o presidente Rodrigo Paz e à ameaça de decretação de estado de emergência na Bolívia.

Segundo a teleSUR, os confrontos ocorreram após a Central Operária Boliviana (COB) marchar até a região central da capital, depois de duas semanas em que as forças de segurança haviam conseguido impedir a presença de manifestantes no coração político de La Paz.

O protesto, que começou há 42 dias como uma mobilização trabalhista contra a rejeição de uma lista de reivindicações apresentada por mais de 70 sindicatos, transformou-se em um movimento mais amplo que passou a exigir a renúncia de Rodrigo Paz.

Testemunhas e manifestantes denunciaram uso excessivo da força por parte da polícia durante a operação para dispersar os atos. A repressão ocorreu em um cenário de crescente tensão social, com bloqueios de estradas, escassez de produtos básicos e alta nos preços de itens essenciais em La Paz e El Alto.

A Polícia boliviana divulgou comunicado no qual “recomenda” que jornalistas, veículos de comunicação e profissionais das redes sociais “mantenham distância” das operações de intervenção. A justificativa oficial é evitar que comunicadores sejam atingidos pela violência nos confrontos.

A orientação, no entanto, foi interpretada por setores críticos como uma tentativa de limitar o registro das ações policiais nas ruas, incluindo prisões e episódios de brutalidade durante as operações contra os manifestantes.

O governo de Rodrigo Paz passou a associar os protestos populares ao que chama de “narcoterrorismo” e adotou uma linha de criminalização das mobilizações sociais. Líderes sociais também foram presos em meio à escalada da crise.

Na segunda-feira, Paz promulgou a Lei 1740, que regulamenta os estados de emergência e autoriza operações conjuntas entre as Forças Armadas e a Polícia da Bolívia. A norma é considerada controversa por ampliar a possibilidade de intervenção militar direta contra manifestações e bloqueios.

A legislação permite ações contra mais de 90 bloqueios em rodovias estaduais, em um contexto de forte pressão social desde 1º de maio. Caso o estado de emergência seja decretado, os poderes da polícia, das Forças Armadas e do Ministério Público poderão ser ampliados de forma significativa.

Na prática, a medida reduziria garantias constitucionais e ampliaria a margem de atuação das forças de segurança contra os protestos. O próprio Rodrigo Paz afirmou que passou a ter caminho legal livre, após autorização da Assembleia Legislativa, para decretar estado de emergência a qualquer momento.

Diante da possibilidade de militarização da resposta estatal, a Igreja Católica e a Defensoria Pública emitiram uma declaração conjunta urgente em 11 de junho. As entidades defenderam um pacto departamental com as principais organizações de La Paz e El Alto para conter a escalada repressiva e buscar uma saída negociada para o conflito.

Desde o início de maio, dezenas de bloqueios de estradas têm afetado o abastecimento de bens básicos nas duas cidades, agravando a escassez. A crise também impulsionou um mercado negro de combustíveis, no qual gasolina e diesel chegam a ser vendidos por até cinco vezes o preço oficial.

O ambiente nas ruas é de calma tensa. A população enfrenta simultaneamente a falta de produtos, a disparada de preços e o temor de uma nova onda de repressão caso o governo avance com a decretação formal do estado de emergência.

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