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Bolívia chega a 46 dias de protestos e bloqueios

Mobilizações contra Rodrigo Paz mantêm 50 bloqueios em cinco departamentos e agravam crise de abastecimento na Bolívia

Atos na Bolívia (Foto: Claudia Morales/Reuters I Arquivo Pessoal)
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247 - A Bolívia completa 46 dias consecutivos de protestos e bloqueios de estradas, com 50 pontos de interrupção registrados em cinco departamentos, em meio ao agravamento da crise de abastecimento de alimentos, combustíveis, medicamentos e outros itens essenciais. As informações são da teleSUR.

De acordo com o relatório mais recente da Administração Boliviana de Rodovias (ABC), citado pela teleSUR, as mobilizações seguem ativas em diferentes regiões do país e têm como uma das principais reivindicações a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os protestos mantêm a população em alerta diante dos impactos sobre a circulação de mercadorias e o funcionamento da economia nacional.

La Paz aparece como o departamento mais afetado, com 20 pontos de bloqueio em sua malha rodoviária. Em seguida está Cochabamba, com 17 interdições. Oruro registra sete bloqueios, Potosí tem cinco, e Santa Cruz contabiliza um ponto de interrupção, localizado em San Julián, na estrada que liga a região ao departamento de Beni.

Embora o número de bloqueios tenha diminuído em relação aos momentos mais críticos da mobilização, os efeitos continuam sendo sentidos em várias cidades. La Paz e El Alto enfrentam dificuldades para acessar produtos básicos, incluindo alimentos, combustível, medicamentos e outros suprimentos considerados essenciais para a população.

A persistência dos bloqueios ampliou a pressão por uma saída negociada para a crise. Diversos setores passaram a defender a abertura de conversas entre representantes sociais e o governo, em uma tentativa de reduzir o confronto e restabelecer a circulação no país.

Sindicatos departamentais solicitaram à direção nacional da Central Operária Boliviana (COB) que inicie um processo de diálogo com o governo. Até o momento, no entanto, não houve resposta oficial sobre a proposta.

A incerteza aumentou após o adiamento, pela segunda vez, da assembleia nacional da COB prevista para domingo. O encontro tinha como objetivo discutir a possibilidade de instalação de uma mesa de diálogo com apoio de diferentes organizações.

O líder da Confederação Boliviana de Sindicatos, César González, apoiou a posição dos sindicatos departamentais e pediu que outras organizações sociais adotem postura semelhante. A avaliação é de que a abertura de negociações poderia ajudar a diminuir a tensão e contribuir para a pacificação do país.

As manifestações ocorrem em meio à lei assinada por Paz que regulamenta os estados de emergência. A medida permite a intervenção das Forças Armadas em protestos, embora o decreto necessário para sua validação ainda dependa de emissão e aprovação legislativa.

No contexto das mobilizações, manifestantes mantêm o chamado à ação com a frase: "Força, camaradas, venceremos!". O apelo também invoca os valores de "unidade, dignidade e luta", em meio à continuidade dos bloqueios e à pressão por mudanças políticas no país.

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