América latina

Boric exalta transição pacífica com Piñera e diz que "mulheres serão protagonistas" em seu governo

"Teremos uma transferência de comando ordenada e institucional", diz o presidente eleito do Chile, após conversa com o atual presidente no Palacio de la Moneda

(Foto: © marcelo segura)


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Por Jeferson Miola, enviado especial ao Chile, e Juca Simonard - O presidente eleito neste domingo, 19, no Chile, Gabriel Boric, se reuniu, nesta segunda-feira, 20, durante duas horas com o atual presidente do país, Sebastián Piñera, no Palacio de la Moneda. Boric esteve acompanhado da sua coordenadora de campanha, Izkia Siches, e Giorgio Jackson, coordenador político, para organizar a transição do mandato no Chile.

Piñera estava com os ministros do Interior, Rodrigo Delgado, da Secretaria de Governo, Jaime Bellolio, e da Secretaria de Imprensa, Juan José Ossa.

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“Falamos sobre diversos temas, assuntos internacionais, onde é importante ter uma política de continuidade nas relações internacionais, assuntos também relacionados com a pandemia, a importância da reativação econômica, questões orçamentárias e a preocupação que temos de que não seja instalado no Chile impunidade em relação às violações dos direitos humanos”, disse Boric.

“Foi uma reunião apropriadamente nobre entre um presidente eleito e o presidente em exercício, e uma reunião que hoje estamos mais cientes dos enormes desafios que devemos enfrentar. Vou tranquilo porque teremos uma transferência de comando ordenada e institucional, onde se ponha à disposição o aparelho de Estado para que funcione a democracia, e isso é uma boa notícia para o Chile porque é algo que talvez não se saiba apreciar até que se perca, e devemos valorizá-la e aprofundá-la”, ressaltou.

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Por isso, Boric informou que deve nomear seu primeiro gabinete de ministros antes do dia 22 de janeiro e revisar em detalhe os casos vinculados à explosão social de 2019, onde há uma crise envolvendo a Lei de Segurança de Estado.

Segundo ele, no seu governo, “não vamos retroceder na questão paritária; as mulheres serão protagonistas” e serão integrados “os melhores, os mais capacitados e terão independentes [de partidos]”, pois segundo ele não haverá a “lógica” de “imposição” pelos partidos.

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“E também gostaria de ter pessoas de regiões que entendam a diversidade e heterogeneidade do nosso país. No primeiro turno vimos uma realidade geográfica muito diferente e é importante que isso também esteja integrado nos critérios”, destacou.

Ele ainda denunciou a “impunidade” dos crimes contra os direitos humanos cometidos no Chile pela ditadura militar de Augusto Pinochet, como em razão das manifestações que ocorreram em 2019. “Uma das prioridades do nosso governo é que tenha verdade, justiça e reparação, e não repetição. Estamos conversando com o INDH [Instituto Nacional de Direitos Humanos] e vamos revisar caso a caso, é melhor não se antecipar”, declarou.

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Mais cedo, o coordenador político, Giorgio Jackson, havia afirmado que os abusos cometidos pela Lei de Segurança de Estado “com certeza serão retirados no minuto em que Gabriel Boric assumir a presidência, isso é um compromisso, isso não tem razão de ser”. Atualmente, milhares de chilenos estão presos diante da repressão do governo Piñera contra os manifestantes em 2019.

Sobre a pandemia da Covid-19 no Chile, que registrou mais de 1,7 milhão de casos e cerca de 39 mil óbitos, Boric destacou que conversou com Piñera sobre o “bom estado do processo de vacinação e que já está em processo uma eventual quarta doses”. De acordo com ele, a gestão Piñera foi “responsável” em relação à pandemia do novo coronavírus. No entanto, em junho do ano passado, o governo foi denunciado por estar ocultando dados da Covid-19 no país.

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Diante da alta do dólar em relação ao peso chileno, que chegou a subir $26 diante do triunfo do frenteamplista, Boric destacou que “estamos revisando e monitorando os movimentos. Parece-me que as decisões democráticas do povo chileno não devem estar sujeitas a pressões diferentes”. “Temos um compromisso com a convergência fiscal”, destacou.

O jornalista Jeferson Miola, enviado pelo Brasil 247 ao Chile, que acompanhou os pronunciamentos de Boric e Piñera após reunião, informou que o presidente em exercício também “destacou a fluidez do diálogo e a natureza republicana do processo democrático de respeito à institucionalidade”.

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No entanto, Miola reforçou que Piñera, em seu pronunciamento, tentou “enquadrar o futuro presidente a partir de uma lógica de governo que foi derrotada nas eleições e que termina de maneira formal em março do ano que vem”.

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