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Brasil e México defendem IA para países em desenvolvimento

Coordenação entre Brasil e México mira ONU, G20 e benefícios da IA ao Sul Global

Bandeiras do México e do Brasil (Foto: Divulgação )
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247 - O Brasil e o México defenderam que a inteligência artificial seja orientada para beneficiar países em desenvolvimento, em uma coordenação que mira fóruns como a ONU e o G20 e também envolve temas como multilateralismo, desarmamento nuclear, direitos humanos e segurança alimentar, informa a RT Brasil.

A posição foi discutida durante a II Reunião da Subcomissão de Assuntos Multilaterais Brasil-México, realizada de forma remota. Segundo a RT Brasil, os dois países concordaram em fortalecer a articulação bilateral em diferentes áreas da agenda internacional, com destaque para tecnologia, governança global e cooperação diplomática.

Coordenação em IA e infraestrutura tecnológica

No campo tecnológico, Brasil e México decidiram ampliar a coordenação em temas ligados à inteligência artificial e à infraestrutura digital. A iniciativa busca reforçar a atuação conjunta dos dois países em debates internacionais sobre inovação, especialmente em espaços multilaterais como a Organização das Nações Unidas e o G20.

De acordo com nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro na sexta-feira (22), os governos identificaram “as diversas coincidências e sinergias em múltiplos foros internacionais entre ambos os governos”.

Ainda segundo o documento, Brasil e México atuarão no cenário global para que “a inovação desse tipo de tecnologia beneficie os países em desenvolvimento”. A formulação indica uma preocupação comum com a distribuição dos ganhos produzidos pela inteligência artificial, em um contexto de crescimento acelerado do setor e de disputa internacional sobre regulação, acesso e infraestrutura.

Defesa do multilateralismo e do direito internacional

As delegações também reafirmaram o compromisso com o multilateralismo, a democracia e “o respeito ao direito internacional como o meio mais efetivo para enfrentar os desafios geopolíticos”.

Durante a reunião, representantes dos dois países trocaram avaliações sobre o contexto regional e internacional, além de discutirem conflitos em andamento no cenário global. A posição conjunta reforça a defesa de mecanismos multilaterais como caminho para lidar com crises geopolíticas, disputas internacionais e temas de segurança.

Brasil e México defendem fortalecimento da ONU

Outro ponto central do encontro foi a Organização das Nações Unidas. Brasil e México defenderam o fortalecimento da ONU e reiteraram apoio à candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral.

Para os dois governos, Bachelet reúne “o perfil mais idôneo para conduzir a Organização”. As delegações destacaram sua “ampla experiência, liderança e habilidades”, além da necessidade de condução institucional diante das “profundas transformações” do momento atual.

A defesa da candidatura de Bachelet foi apresentada dentro de uma agenda mais ampla de valorização das Nações Unidas e de reforço da cooperação entre países latino-americanos em espaços internacionais.

Desarmamento nuclear e América Latina como zona de paz

Brasil e México também reiteraram seu “compromisso histórico” com o desarmamento nuclear e com o uso pacífico da energia nuclear. As duas delegações enfatizaram a importância de preservar a América Latina e o Caribe como uma zona de paz e livre de armas nucleares.

A posição reforça uma tradição diplomática compartilhada pelos dois países em favor da não proliferação nuclear e da solução pacífica de controvérsias. No encontro, esse tema foi tratado como parte da agenda de segurança internacional e de fortalecimento do direito internacional.

Direitos humanos e risco de retrocessos

Na área de direitos humanos, Brasil e México defenderam a promoção e a proteção de garantias fundamentais, com atenção especial a mulheres, crianças, povos indígenas e afrodescendentes.

As delegações manifestaram preocupação com o risco de retrocessos em agendas consideradas sensíveis. Segundo o texto citado, a proteção desses grupos foi tratada como prioridade “diante do risco de retrocessos nos avanços alcançados nessas agendas”.

A pauta de direitos humanos apareceu, assim, vinculada tanto à cooperação bilateral quanto à atuação conjunta em fóruns internacionais.

Segurança alimentar e combate à fome

A segurança alimentar também esteve entre os temas discutidos. Brasil e México reafirmaram a “importância de se alcançar a segurança alimentar”, em linha com uma agenda de cooperação social e combate à fome.

No fim de 2025, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, em conversa com o presidente Lula, havia demonstrado interesse em cooperar na implementação de programas sociais voltados ao enfrentamento da fome e da pobreza.

A reunião da Subcomissão de Assuntos Multilaterais reforçou esse campo de aproximação entre os dois governos, que buscam ampliar a cooperação em áreas sociais, tecnológicas e diplomáticas, mantendo atuação coordenada em temas globais de interesse dos países em desenvolvimento.