CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
América Latina

Com inclusão do yuan no comércio exterior, Bolívia reduziu demanda por dólares em 30%

Há um mês, a China e a Bolívia começaram a negociar diretamente nas suas moedas de origem: yuans e pesos bolivianos

Yuan, moeda chinesa (Foto: Petar Kujundzic/Reuters)
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Sputnik - Um mês após a assinatura do acordo entre a China e o governo de Luis Arce para abertura de um correspondente do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês) no Banco Unión, já se observam as primeiras repercussões positivas na economia boliviana.

Há um mês, a China e a Bolívia começaram a negociar diretamente nas suas moedas de origem: yuans e pesos bolivianos. Neste período, o governo de Luis Arce registrou uma redução de 30% na procura de dólares para o comércio exterior, principalmente devido à chegada de materiais e máquinas da nação asiática. As perspectivas visam ampliar o câmbio, bem como incluir outras moedas relevantes do planeta.

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

Nos últimos meses, o governo boliviano implementou diversas estratégias para mitigar a falta de dólares na economia local. Uma das apostas mais fortes do presidente Arce foi deslocar o dólar do comércio bilateral com a China, que em 2023 representou US$ 3,6 bilhões (cerca de R$ 18,2 bilhões): US$ 2,4 bilhões (aproximadamente R$ 12,1 bilhões) em produtos da China e US$ 1,2 bilhão (mais de R$ 6 bilhões) em exportações da Bolívia.

"É uma medida muito interessante que tem sido aplicada na Bolívia, aproveitando a multipolaridade que se consolida no mundo", disse o economista Martín Moreira à Sputnik.

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

O volume negociado entre a Bolívia e a China "viabiliza a existência de um correspondente com um banco lá para aliviar a pressão do dólar no país. Isso também promove um maior comércio entre as duas nações", avaliou.

Através do acordo assinado entre os dois países, o Banco Unión de Bolivia abriu um correspondente do ICBC, um dos mais importantes do mundo.

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

Desde a assinatura do acordo, no final de fevereiro passado, "a pressão do dólar no mercado foi reduzida em 30%, especificamente devido à importação de fatores de produção para a agricultura, construção e comércio no país, segundo a alfândega", relatou o analista econômico.

Com o acordo, os importadores bolivianos podem pagar pelas mercadorias da China em pesos bolivianos, para que os exportadores da China possam cobrar do ICBC em yuans e vice-versa. Anteriormente, para trocar pesos bolivianos por yuans existia uma moeda intermediária: o dólar. Com o novo mecanismo, "os custos de transferência monetária diminuíram, o que nos permitiu aliviar a pressão sobre o dólar no país, bem como reativar o nosso comércio exterior", disse Moreira.

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

E acrescentou que vários bancos privados na Bolívia "expressaram sua disposição de promover iniciativas semelhantes".

Moreira considerou que se poderia avançar na abertura de um correspondente com bancos indianos, já que 10% do comércio exterior boliviano é realizado com a república asiática.

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

Persistência do dólar - O analista comentou que, segundo diversos exportadores e importadores, o acordo entre China e Bolívia cobre 80% do comércio entre os dois países. Mas ainda restam 20%, para impostos e outros custos logísticos, que continuam a ser pagos em dólares.

Para Moreira, o encarecimento das questões de transporte e logística deve continuar aumentando durante 2024, motivado por vários fatores internacionais.

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

A parte da montagem - O economista Mike Gemio explicou à Sputnik que "o dólar começou a escassear no mundo. Na Bolívia e em outros países latino-americanos, está sendo analisada a migração para outras bases monetárias. No Banco Central temos dólares e ouro. Para que o yuan seja adicionado como alternativa de cotação na base monetária, vai depender muito das leis aprovadas pelo Estado".

Atualmente, o yuan é a quinta moeda com maior circulação no mundo.

Moreira concordou que será necessária a inclusão da Assembleia Legislativa Plurinacional se o objetivo for adicionar o yuan às reservas monetárias do país.

Para o analista, esse cenário ainda está distante, uma vez que "o dólar é uma moeda que dá valor a todas as mercadorias do mundo. Nesse sentido, o yuan ainda não tem esse poder", disse.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247,apoie por Pix,inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Relacionados

Carregando os comentários...
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

Cortes 247

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO