Cuba enfrenta segundo apagão nacional em menos de uma semana em meio a crise causada pelo bloqueio estadunidense
Escassez de petróleo e sanções do governo Trump aumentam vulnerabilidade da rede elétrica na ilha
247 - Um segundo apagão nacional atingiu Cuba neste sábado (21), informou o Ministério da Energia do país, em publicação no X. O órgão detalhou que a rede elétrica nacional sofreu uma "desconexão total" por volta das 18h45, horário local (22h45 GMT), e que equipes já trabalhavam para restabelecer o fornecimento de energia. A queda de energia marca mais um episódio da grave crise energética enfrentada pela ilha, causada pelo bloqueio criminoso imposto pelos Estados Unidos.
Segundo a AFP, na última segunda-feira, o país enfrentou um apagão de quase 24 horas, mais longo do que os cortes programados aos quais os cubanos já estão acostumados. A crise energética cubana se intensificou desde que os EUA interromperam, em janeiro, os envios de petróleo da Venezuela, principal fornecedora do país. A ação ocorreu após o sequestro do presidente Nicolás Maduro por forças estadunidenses.
Além disso, o governo do presidente Donald Trump ameaça sanções a terceiros que comercializarem combustíveis com a ilha. A geração de eletricidade em Cuba depende majoritariamente de usinas termoelétricas envelhecidas, o que agrava a vulnerabilidade do sistema.
Apagões
O país caribenho, com cerca de 9,6 milhões de habitantes, registra há meses apagões generalizados e cortes programados de energia que afetam diariamente residências e serviços públicos. Na capital, as interrupções podem ultrapassar 15 horas, enquanto nas províncias os cortes podem durar mais de um dia.
Desde 9 de janeiro, nenhum navio petroleiro chegou à ilha, obrigando o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar medidas de economia, como a suspensão da venda de diesel, racionamento de gasolina e redução de serviços hospitalares.
Os EUA "justificam" as medidas afirmando que Cuba representa uma "ameaça excepcional" à segurança nacional estadunidense devido às suas relações com países como China, Rússia e Irã. Por outro lado, Havana acusa Washington de tentar "asfixiar" a economia da ilha, que está sob embargo desde os anos 1960 e teve as sanções recentemente endurecidas.


