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Delegação dos EUA pressiona Cuba para fazer transição para economia de mercado

Delegação estadunidense pede abertura ao setor privado, indenizações e eleições livres durante visita inédita a Havana desde 2016

Cidade de Havana, capital de Cuba (Foto: REUTERS/Alexandre Meneghini)

247 - Autoridades dos Estados Unidos intensificaram a pressão sobre Cuba para que o país avance em reformas econômicas estruturais e adote uma economia de mercado, segundo informações divulgadas pela imprensa americana. De acordo com a reportagem original publicada pelo site RT e baseada em veículos como The New York Times e Axios, representantes do Departamento de Estado apresentaram as demandas durante uma visita recente a Havana.

A viagem, descrita como a primeira desse tipo desde 2016, ocorreu em um momento de forte crise energética na ilha, marcada por escassez de combustível e apagões frequentes. O cenário foi agravado por restrições às exportações de petróleo impostas pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo os relatos, a delegação americana defendeu uma série de mudanças, incluindo a expansão do setor privado, maior abertura ao investimento estrangeiro e a libertação de presos políticos. Além disso, Washington também teria solicitado que o governo cubano indenize cidadãos e empresas dos EUA por propriedades confiscadas após a Revolução Cubana, na década de 1960.

Outro ponto abordado nas discussões foi a conectividade digital. Conforme o The New York Times, autoridades americanas propuseram levar à ilha o serviço de internet via satélite Starlink, operado por Elon Musk, com o objetivo de permitir acesso irrestrito à internet.

A plataforma Axios informou ainda que os EUA pressionaram por maior liberdade política em Cuba, com foco na realização de “eleições livres e justas”. Um funcionário americano citado pela publicação afirmou que “as elites governantes da ilha têm uma pequena janela de oportunidade para implementar reformas importantes apoiadas pelos EUA antes que a situação se agrave irreversivelmente”.

O alto funcionário do Departamento de Estado Michael Kozak confirmou, na quinta-feira, que Washington está pressionando Havana por “reformas drásticas”. Apesar de já ter adotado uma postura mais dura em relação à ilha no passado, incluindo ameaças de invasão, Donald Trump sinalizou recentemente uma possível disposição para ajudar Cuba a enfrentar suas dificuldades econômicas.

Do lado cubano, o presidente Miguel Díaz-Canel declarou à RT, no sábado, que o país não teme um eventual conflito com os Estados Unidos. Ele ressaltou, no entanto, que Havana está aberta ao diálogo, desde que ocorra em condições de igualdade e sem coerção.

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