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Em ato realizado em Havana, caravana internacionalista reforça solidariedade a Cuba

Mais de 600 representantes de 33 países defendem soberania cubana e criticam bloqueio dos EUA em ato na sede do ICAP

Caravana internacionalista manifestou solidariedade a Cuba (Foto: Granma)

247 - Uma ampla mobilização internacional em apoio a Cuba marcou este sábado (21), com a chegada de mais de 600 representantes de cerca de 33 países à ilha caribenha. A cerimônia de boas-vindas da Caravana Nossa América para Cuba foi realizada na sede do Instituto de Amizade com os Povos (ICAP), em Havana, reunindo autoridades cubanas e lideranças políticas e sociais de diversos países.

De acordo com informações publicadas pelo jornal cubano Granma, o encontro contou com a presença do presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez, além de integrantes do alto escalão do governo e do Partido Comunista de Cuba, como Esteban Lazo Hernández, Manuel Marrero Cruz e Roberto Morales Ojeda.

Durante a cerimônia, o co-coordenador geral da Internacional Progressista, David Adler, destacou o papel histórico da ilha na promoção da solidariedade internacional. Segundo ele, “Cuba nos ensinou o que significa solidariedade internacional” e, diante de um cenário em que “um século de luta anticolonial está em risco”, reforçou: “continuaremos a apelar ao mundo para que se solidarize com Cuba”. Adler acrescentou que “nunca abandonaremos Cuba, porque sabemos que lutar por Cuba é lutar pelo direito à autodeterminação dos povos do mundo”.

Ele afirmou ainda que os integrantes da caravana representam milhões de pessoas ao redor do planeta e classificou a mobilização como uma causa humanitária. “São os nossos corações que nos unem”, disse. Para Adler, a presença internacional na ilha também busca “defender uma ideia, um exemplo, um projeto real que representa Cuba e as conquistas de sua Revolução”, além de “lutar contra as políticas genocidas do governo dos Estados Unidos”.

O dirigente enfatizou que, ao retornarem aos seus países, os participantes terão a missão de “refutar as manobras da mídia e defender a verdade” sobre Cuba, diante de narrativas que, segundo ele, tratam “amizade, amor e solidariedade internacional” como crimes.

O diretor executivo do Fórum dos Povos, Manolo de los Santos, também ressaltou o papel simbólico e político da ilha. Ele afirmou que Cuba “nos deu a maior lição, não apenas em resiliência e resistência, mas também nos mostrou o que significa criar uma verdadeira alternativa aos horrores do capitalismo e do imperialismo”. Em tom de agradecimento, declarou: “Obrigado, Cuba, por nos ensinar a lutar, a confiar em nossos próprios esforços para mudar o mundo”.

De los Santos criticou o bloqueio econômico imposto à ilha há mais de seis décadas e classificou a medida como uma violação grave de direitos. Segundo ele, “tirar do povo o direito à vida, à paz, ao combustível, a ter relações normais com o resto do planeta, nada mais é do que um ato de genocídio; portanto, é nosso dever ir a Cuba para distribuir ajuda solidária”. Ele acrescentou que o movimento expressa “o amor, a solidariedade e o ativismo de milhões de seres humanos que se recusam a virar as costas ao povo cubano”.

O dirigente também destacou o papel internacionalista de Cuba, afirmando que “o mundo precisa de uma Cuba solidária, aquela que envia seus melhores filhos e filhas aos cantos mais remotos do planeta, como médicos e professores”. Para ele, a mobilização não será episódica: “ouvimos e encontramos um povo que não desiste, que está disposto a dar a vida pela humanidade e em sua própria defesa”.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) do Brasil, Bianca Borges, afirmou que o encontro reforçou “as bandeiras da solidariedade, do anti-imperialismo, da esperança e da soberania de resistência contra aqueles que querem nos dominar”. Ela também destacou o significado regional do ato, ao afirmar que “a esperança de uma América Latina justa, integrada e não discriminatória renasce, uma América Latina que não quer ser colônia de nenhum império, mas uma potência latino-americana por si só (…) para que essa mudança seja possível, a solidariedade com Cuba, que está sob agressão imperial, e a luta contra o bloqueio são fundamentais”.

Encerrando o evento, o presidente do ICAP, Fernando González Llort, enfatizou o compromisso do país com causas internacionais. Segundo ele, “em nenhuma circunstância renunciaremos à defesa das causas justas do povo nem às nossas aspirações de continuar promovendo a solidariedade, o internacionalismo e a colaboração, que têm sido pilares da nossa política externa”.

Dirigindo-se aos integrantes da caravana, González Llort afirmou: “vocês são a humanidade feita de solidariedade, que não aceita o bloqueio como destino, que se organiza, se mobiliza, viaja, se abraça”. E concluiu com uma mensagem de resistência: “vocês representam a certeza de que nenhum cerco imperial jamais será capaz de aprisionar a dignidade do povo, porque a Pátria que defendemos, a Pátria de Martí, de Fidel, daqueles que caíram e daqueles que resistem, não é uma faixa de terra sitiada, é um pedaço de humanidade que se recusa a render-se”.

Publicado em Resistência.cc

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