HOME > América Latina

Equador: Luisa González denuncia perseguição política e diz que Noboa busca encobrir vínculos com o narcotráfico

González classificou como “seletiva” a recente operação de busca em sua residência

Luisa González (Foto: Prensa Latina )

247 - A ex-candidata presidencial pela Revolução Cidadã, Luisa González, denunciou que as ações judiciais em curso buscam ocultar os vínculos do governo de Daniel Noboa com o narcotráfico e a corrupção. Segundo ela, enquanto a Procuradoria persegue a oposição, ignora evidências que ligariam autoridades atuais, parlamentares do partido governista Ação Democrática Nacional (ADN) e empresas do grupo Noboa ao tráfico internacional de cocaína. As informações são da teleSUR

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (28), González detalhou casos específicos, como o da deputada Michelle Mancheno, cujo marido, Álvaro Guibernau, gerente da Noboa Trading, estaria relacionado a processos de tráfico de entorpecentes sem ter sido investigado.

Ela também denunciou o caso da presidente da ADN, María Moreno, cujos processos por narcotráfico teriam sido arquivados pela procuradora Diana Salazar. A dirigente mencionou ainda a apreensão de três toneladas de cocaína em uma empresa vinculada ao atual ministro Danilo Palacios e o caso de uma fazenda do grupo Noboa onde foram encontrados 196 pacotes de droga. Segundo González, esses processos foram encerrados pela Justiça equatoriana sem responsabilização.

González classificou a atual administração como o governo da corrupção, do tráfico de cocaína e da morte, acusando Daniel Noboa de utilizar a Procuradoria como instrumento para desviar a atenção da crise que o país enfrenta. Ela apelou às autoridades para que busquem os verdadeiros crimes no Palácio de Carondelet, e não nas residências de quem exerce a oposição democrática.

O Movimento Revolução Cidadã reafirmou sua postura de denúncia diante do que considera um Estado capturado por interesses criminosos, que utiliza o direito penal para silenciar aqueles que exigem transparência e justiça social no Equador.

Na madrugada desta quarta-feira, a Procuradoria-Geral do Estado do Equador realizou uma série de buscas nas residências de figuras-chave do Movimento Revolução Cidadã, incluindo a casa da ex-candidata presidencial Luisa González.

A operação, realizada nas províncias de Pichincha e Guayas no âmbito do chamado caso Cajachica, foi denunciada pela liderança do movimento como mais um episódio de “lawfare”, ou guerra jurídica. Analistas e especialistas alertam que essas ações, baseadas em denúncias opacas e sigilosas, buscam criminalizar a principal força de oposição do país e enfraquecer o Estado de Direito por meio do uso da Justiça como braço político do Executivo.

Diversos analistas políticos apontam que a manobra do governo de Daniel Noboa ocorre em um momento de tensão institucional, logo após o ex-candidato Andrés Arauz levantar a necessidade de uma revogação de mandato por descumprimento do programa de governo. A queda nos índices de aprovação de Noboa, abaixo de 40%, teria impulsionado essa estratégia de desvio de atenção para atacar adversários políticos.

Do exílio, o ex-presidente Rafael Correa classificou as buscas como um espetáculo judicial sem provas, afirmando que esse nível de perseguição e assédio contra lideranças políticas não se verifica nem mesmo nas ditaduras mais ferozes da região.

A comunidade internacional e organizações de direitos humanos foram alertadas sobre esse padrão sistemático de violação do devido processo legal, no qual a Procuradoria atua sob uma suposta investigação de lavagem de dinheiro sem transparência. A Revolução Cidadã reiterou sua posição de resistência diante do que considera um governo autocrático que utiliza os poderes do Estado para impedir a fiscalização e a participação democrática.

Artigos Relacionados