"Estou muito preocupado com Cuba", diz Lula, em meio às ameaças de Trump
“Pare com este maldito bloqueio a Cuba e deixe os cubanos viverem a vida deles”, reclamou o presidente
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (18) estar preocupado com a situação de Cuba, em meio ao cenário internacional marcado por tensões e ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante discurso em Barcelona, ele criticou o bloqueio imposto ao país caribenho e defendeu o direito de autodeterminação do povo cubano.
A declaração foi feita na 4.ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, onde Lula abordou temas como multilateralismo, conflitos internacionais e o papel das instituições globais diante de crises atuais.
Ao tratar da situação cubana, o presidente foi enfático ao condenar as sanções econômicas. “Eu estou preocupado com Cuba, muito preocupado. Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não do Lula, da Cláudia Sheinbaum ou do Trump. É um problema do povo cubano”, afirmou. Em seguida, fez um apelo direto: “Pare com este maldito bloqueio a Cuba e deixe os cubanos viverem a vida deles”.
"Enquanto Cuba incomoda por ser um país socialista, o Haiti está do lado de Cuba. O povo está morrendo de fome. As gangues tomaram conta. E ninguém fala nada do Haiti. O povo do Haiti merece respeito também, merece sobreviver, e ninguém fala?", questionou.
No mesmo discurso, Lula criticou decisões unilaterais de grandes potências e o enfraquecimento do multilateralismo. Segundo ele, ações sem consulta à Organização das Nações Unidas (ONU) agravam conflitos e impactam populações vulneráveis. “Nenhum presidente de nenhum país, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países”, disse.
O presidente também apontou que guerras e tensões internacionais têm reflexos econômicos diretos sobre países em desenvolvimento. “O Trump invade o Irã e aumenta [o preço do] feijão no Brasil, o milho no México, a gasolina em outro país. Ou seja, é o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”, declarou.
Lula voltou a defender a reforma das instituições globais, especialmente o Conselho de Segurança da ONU, e criticou a falta de representatividade. Para ele, o atual modelo não responde aos desafios contemporâneos nem garante equilíbrio entre as nações.


