EUA apresentam novas acusações contra Maduro e familiares por supostos crimes
Departamento de Justiça amplia denúncia e alega envolvimento com narcotráfico
247 - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou neste sábado (3) uma nova acusação formal contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que também inclui sua esposa, Cilia Flores, e seu filho, Nicolás Ernesto Maduro Guerra. As autoridades norte-americanas alegam que o chefe de Estado venezuelano e aliados teriam participado, ao longo de décadas, de esquemas de corrupção e narcotráfico, acusações que o governo venezuelano sempre rejeitou e classifica como parte de uma estratégia de perseguição política e violação de sua soberania.
A nova peça judicial, apresentada no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, sustenta, de forma alegada, que Maduro teria liderado um suposto sistema de poder que utilizaria instituições do Estado venezuelano para facilitar o tráfico internacional de cocaína e o enriquecimento de membros do governo e de seus familiares. O documento foi tornado público pelo Departamento de Justiça dos EUA e se soma a acusações anteriores já negadas por Caracas .
Segundo a acusação, os promotores norte-americanos afirmam que, desde o fim dos anos 1990, autoridades venezuelanas teriam supostamente se associado a organizações armadas e grupos criminosos para permitir o envio de grandes quantidades de cocaína aos Estados Unidos. Entre os grupos citados de forma alegada estão as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Exército de Libertação Nacional (ELN), o cartel de Sinaloa, os Zetas e o Tren de Aragua.
A denúncia afirma que Nicolás Maduro, ainda de forma suposta, teria participado dessas atividades desde o período em que ocupava cargos no Legislativo venezuelano, passando pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Presidência. Os investigadores norte-americanos alegam que, quando chanceler, Maduro teria facilitado a emissão de passaportes diplomáticos para traficantes e garantido cobertura oficial para operações financeiras ligadas ao narcotráfico. Já como presidente, segundo a acusação, ele teria permitido que essas práticas continuassem, sempre com o objetivo de manter poder político e recursos.
O documento também apresenta acusações contra Cilia Flores, esposa de Maduro, apontando, de maneira alegada, que ela teria participado de reuniões com supostos traficantes e intermediado contatos com autoridades venezuelanas ligadas ao combate às drogas, em troca de pagamentos ilícitos. Em relação ao filho do presidente, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, os promotores afirmam, igualmente em caráter de acusação, que ele teria usado aviões da estatal petrolífera PDVSA para transportar drogas e mantido contatos com grupos armados colombianos.
Além das acusações de narcotráfico, a peça judicial inclui denúncias de conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína, posse e uso de armamento pesado, incluindo metralhadoras e explosivos, sempre descritas como supostos crimes. O Departamento de Justiça também pede o confisco de bens que, segundo a acusação, teriam sido obtidos com recursos dessas atividades.
O governo venezuelano tem reiterado, ao longo dos anos, que essas acusações fazem parte de uma ofensiva política e judicial dos Estados Unidos para deslegitimar suas autoridades e justificar sanções e ações hostis contra o país.



