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General Padrino López afirma que Venezuela serviu de laboratório para armas inéditas dos EUA

Ministro da Defesa venezuelano denuncia uso de tecnologia militar desconhecida em ataque de 3 de janeiro de 2026

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López (Foto: Reuters)

247 - O ministro da Defesa e vice-presidente para Defesa e Soberania da Venezuela, general-em-chefe Vladimir Padrino López, afirmou que o país foi utilizado como laboratório para o uso de armas desconhecidas durante a agressão militar realizada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro. Segundo o oficial, o ataque representou um marco pela utilização de tecnologias nunca antes vistas em campos de batalha e resultou em graves consequências políticas e humanitárias para a nação venezuelana.

As declarações foram feitas durante a cerimônia de transmissão da direção das academias militares, no Forte Tiuna, em Caracas, conforme noticiado pela Telesur. No evento, Padrino López contextualizou a ofensiva militar como parte de uma estratégia mais ampla de dominação, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores.

De acordo com o general, a própria liderança dos Estados Unidos reconheceu publicamente o caráter inédito do armamento utilizado. Ele lembrou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nas quais admitiu que foram empregadas armas que nenhum outro país possuía. “Neste mesmo local onde nos encontramos, foi cometida uma agressão militar pela principal potência nuclear do mundo, uma força letal. Como o presidente Donald Trump afirmou explícita e claramente ontem em Davos: eles usaram armas que ninguém mais no mundo possuía”, declarou.

Padrino López detalhou que o ataque não foi um episódio isolado, mas um experimento militar de grandes proporções. “Essas armas, essa tecnologia que eles usaram contra o nosso povo em 3 de janeiro de 2026, revelaram-se o laboratório na Venezuela para aquela agressão que terminou no que já sabemos: o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a Dra. Cilia Flores”, afirmou o vice-presidente da Defesa.

Ao abordar os desafios estratégicos do atual cenário internacional, o general destacou a necessidade de repensar a doutrina militar venezuelana. “A guerra está na mente de todos hoje em dia. Portanto, posso dizer que a guerra é um fenômeno cognitivo que precisa ser estudado. Devemos preparar as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) para os novos desafios deste século”, enfatizou, ao defender uma formação militar alinhada às transformações tecnológicas e geopolíticas contemporâneas.

Nesse contexto, Padrino López orientou o major-general Pérez La Rosa, reitor da Universidade Militar Bolivariana da Venezuela, a revisar o Plano de Transformação Ayacucho. O objetivo, segundo ele, é adequar o sistema de educação militar às capacidades exigidas pelo país, preservando seu caráter independentista e anti-imperialista.

O vice-presidente da Defesa e Soberania também reiterou que as FANB devem manter intactas sua honra e dignidade institucional. Ao final de sua intervenção, exigiu o retorno imediato do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores ao território venezuelano, ressaltando que o sequestro representa uma violação grave do direito internacional.

A agressão militar de 3 de janeiro de 2026 incluiu bombardeios em diversas regiões de Caracas e em áreas dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O ataque deixou mais de cem mortos entre civis e militares, além de um número semelhante de feridos, configurando, segundo autoridades venezuelanas, uma afronta direta aos princípios da Carta das Nações Unidas e à soberania do país.

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