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Inflação mensal na Venezuela diminui para o nível mais baixo em 12 anos

Segundo o Banco Central do país, a taxa terminou o último mês em 1% e foi a mais baixa para um mês desde 2012

Mercado na Venezuela (Foto: Marco Bello / Reuters)

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Por Lorenzo Santiago, Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) - A inflação mensal na Venezuela caiu para o seu menor nível em 12 anos no mês de junho. Segundo o Banco Central do país, a taxa terminou o último mês em 1% e foi a mais baixa para um mês desde 2012, quando o país também teve e foi 0,5 ponto percentual menor se comparada a inflação mensal de maio, que ficou em 1,5%. Se considerados apenas os meses de junho, essa foi a menor inflação em 39 anos.

O valor mais baixo até então havia sido em abril, quando o país teve uma taxa mensal de 1,2%. O resultado foi publicado pelo BC venezuelano nesta terça-feira (9), a 19 dias das eleições do país. O índice de preços, que já chegou a alcançar o patamar de 196,6% em janeiro de 2019, tem apresentado queda neste começo do ano na Venezuela. No acumulado dos 6 primeiros meses de 2024, a taxa ficou em 8.9%, a mais baixa desde 2012, quando para o mesmo período ficou em 7,9%.

Os resultados têm sido comemorados pelo presidente Nicolás Maduro e dão mais argumentos para o candidato à reeleição faltando 19 dias para as eleições do país. A estabilização da economia em meio ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos tem sido um lema do governo nos primeiros meses de 2024. De acordo com o governo, as sanções contra o setor petroleiro reduziram a entrada de dólares em 99% de 2014 a 2020.

Segundo a vice-presidente e ministra da Economia, Delcy Rodríguez, o impacto das sanções na economia venezuelana foram de US$ 642 bilhões (mais de R$ 3,3 trilhões) nesse período e fez a comparação com os outros países do continente. Ainda assim, o governo calcula que o país deve apresentar um crescimento do PIB de ao menos 8% neste ano.

Além disso, a moeda local –o bolívar– também teve uma estabilização em relação ao dólar. Todos esses resultados mostram um otimismo do governo com a economia e já estão sendo discutidos na campanha eleitoral.

Riscos

Se os resultados são positivos, os métodos para alcançá-los são questionados por alguns economistas. Para conseguir baixar a inflação e controlar a alta dos preços, o governo adotou como medida principal a injeção de dólares no mercado. Em 2023, o Banco Central colocou em circulação os quase US$ 4,2 bilhões (mais de R$ 20 bi) que entraram pela venda de petróleo no mercado internacional para controlar o câmbio e estabilizar o valor do bolívar.

O cientista político Juan Carlos Valdez destaca que, além disso, a queda na inflação representa no país uma queda de demanda. Com salários congelados há dois anos e uma queda nos investimentos públicos, a tendência é que o aumento nos preços continue desacelerando até chegar a uma deflação.

“A queda na demanda obriga que os comerciantes reduzem as margens de lucro para conseguir captar algo da demanda. Se continuarmos com esse esquema, de contração de liquidez [congelando salários e reduzindo o gasto público], vamos cair em uma deflação, o que vai quebrar um grupo de pequenos e médios produtores e comerciantes, favorecendo os monopólios de diferentes setores da economia”, afirmou ao Brasil de Fato.

Para ele, essa restrição da liquidez não favorece e estimula o crescimento real, mas “acaba contraindo a economia”.

No último 1º de maio, o governo anunciou um aumento nos auxílios sociais para US$ 130 (cerca de R$ 730). O valor, no entanto, não tem incidência sobre o salário mínimo, que ainda está em 130 bolívares (menos de 4 dólares na cotação atual) há dois anos. O valor das férias, 13º e fundo de aposentadoria não são refletidos por esse aumento.

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