Lula critica Trump e sai em defesa da integridade territorial da Venezuela
Presidente Lula afirmou que está "indignado" com o sequestro de Maduro
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (23) a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, ao discursar no 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador-BA.
Lula afirmou que está "indignado" com o ocorrido e classificou a ação dos militares do presidente Donald Trump como uma violação à integridade territorial da Venezuela.
"Maduro sabia que tinha militares e ameaças no Mar do Caribe, eles entram de noite, vão no forte e o levam embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial? Somos na América do Sul um território de paz, sem bomba atômica. Não queremos guerra", disse Lula. "Não vamos baixar a cabeça para ninguém, respeitando o povo brasileiro e a soberania, isso vale para todos os países do mundo", acrescentou.
Segundo Lula, o Brasil não tem condições de travar uma guerra com os EUA. Ele afirmou ainda que o país está aberto a relações com todos. "Eu não quero guerra, sou um homem da paz. Temos que saber, importante, que sempre que Trump fala ele diz ter os militares e armas mais fortes, mas eu não tenho nada. As Forças Armadas muitas vezes não têm nem dinheiro para comprar bala. Então não quero guerra com ninguém, e sim com o poder do convencimento, com argumento, mostrando que a democracia é imbatível", disse. "Gandhi derrotou o império inglês quase pelado. Queremos fazer política assim", acrescentou Lula.
"Queremos ter relações com EUA, Cuba, China, Índia. Mas não aceitamos mais ser colônia", enfatizou Lula.
Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque de grande escala contra a Venezuela, sequestrando o presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. Segundo as autoridades norte-americanas, eles estariam supostamente envolvidos em “narcoterrorismo”. Durante a audiência judicial em Nova York, Maduro e Flores se declararam inocentes das acusações.
Em resposta à operação dos EUA, Caracas solicitou uma reunião de emergência da ONU, e o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela atribuiu temporariamente as funções de chefe de Estado à vice-presidente, Delcy Rodríguez. Em 5 de janeiro, Rodríguez assumiu oficialmente o cargo de presidente interina da Venezuela e prestou juramento perante a Assembleia Nacional.
O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que a operação militar dos EUA na Venezuela enfraqueceu um princípio fundamental do direito internacional, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.


