Peru fecha apuração e Keiko Fujimori chega a 50,135% do eleitorado
A candidata de direita está 85 mil votos à frente de Roberto Sánchez, que representa a esquerda peruana
247 - Candidata de direita à presidência do Peru, Keiko Fujimori lidera a apuração no Peru e aguarda confirmação oficial do resultado após o fim da contagem de 100% das urnas do segundo turno presidencial. Ela aparece com 9.223.396 votos, o equivalente a 50,135% do total válido, contra 9.137.755 votos de Roberto Sánchez. O deputado de esquerda alcançou 49,865%. Os relatos foram divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Portal G1.
O órgão máximo eleitoral peruano prometeu ratificar o resultado até sexta-feira (3). A votação ocorreu em 7 de junho e expôs uma forte divisão política no país, marcada por uma disputa apertada entre Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, e Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú.
A diferença entre os dois candidatos ficou em 85.641 votos. A contagem final favoreceu Fujimori depois que os votos de peruanos residentes no exterior ampliaram sua vantagem na reta final da apuração. Sánchez liderou parte do processo, mas perdeu a dianteira após a incorporação das urnas externas.
O Jurado Eleitoral Especial ainda precisa oficializar o resultado antes de declarar Fujimori vencedora. A expectativa no Peru gira em torno da proclamação formal, já que o candidato derrotado nas urnas ainda não reconheceu a vantagem da adversária e prepara novas iniciativas para contestar a votação.
Na última quarta-feira, quando a apuração indicou uma vantagem irreversível, Keiko Fujimori fez um pronunciamento em Lima com tom de vitória, mas evitou reivindicar formalmente o cargo antes da decisão eleitoral. Ela afirmou que pretende buscar a reunificação política do país.
“Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio”, disse Fujimori em frente a repórteres na capital peruana.
A imprensa peruana aponta que Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, deve receber a confirmação como nova presidente do Peru. Caso o órgão eleitoral ratifique a apuração, ela substituirá José María Balcázar Zelada, presidente interino de esquerda que assumiu o poder há quatro meses.
Zelada chegou ao cargo após a destituição de José Jeri, que também governou por apenas quatro meses. O Congresso retirou Jeri da Presidência depois da divulgação de reuniões não informadas com empresários chineses. Antes dele, Dina Boluarte também perdeu o cargo em meio a escândalos de corrupção.
Boluarte havia assumido de forma interina após a prisão de Pedro Castillo, que dissolveu o Congresso e decretou estado de exceção em uma tentativa de escapar de um processo de impeachment. A sucessão de crises aprofundou a instabilidade institucional no Peru, país que teve oito presidentes em oito anos.
A disputa eleitoral também abriu uma nova frente de contestação. Na terça-feira (23), Roberto Sánchez alegou fraude, convocou apoiadores para marchas no sábado (27) e anunciou que pedirá recontagem. O candidato de esquerda também apresentou um recurso para anular votos de peruanos residentes no exterior.
Sánchez argumenta que houve supostas falhas administrativas e problemas na gestão das cédulas no pleito realizado fora do Peru. Advogados especializados em direito eleitoral ouvidos pelo jornal El Comercio afirmam que o pedido não tem base jurídica e busca retardar a proclamação oficial do resultado.
A definição ocorre em um dos momentos mais sensíveis da política peruana na última década. A sucessão de presidentes, os conflitos entre Executivo e Congresso e as denúncias de corrupção mantêm o país sob tensão institucional, agora agravada por uma eleição presidencial decidida por margem estreita.



