Partido de Sánchez contesta eleição no Peru e não reconhecerá resultado
Coalizão de Roberto Sánchez denuncia falta de transparência e convoca protestos contra resultado presidencial no Peru
247 - A coalizão Juntos por el Perú, que apoia Roberto Sánchez, afirmou que não reconhecerá o resultado da eleição presidencial no Peru e convocou protestos para esta quarta-feira (17), em meio a uma disputa apertada contra Keiko Fujimori. As informações são do Valor Econômico.
O grupo, formado por partidos e movimentos progressistas, nacionalistas e de centro-esquerda, passou a contestar publicamente a condução do processo eleitoral peruano após a apuração de mais de 99% das urnas. A coalizão afirma que “o voto dos cidadãos foi deslegitimado” e que os resultados “não refletem a vontade popular com absoluta transparência”.
Coalizão denuncia irregularidades no processo eleitoral
Em comunicado, o Juntos por el Perú justificou a convocação das manifestações e acusou os órgãos eleitorais de falta de transparência. A coalizão também apontou mudanças nas regras durante a disputa e afirmou haver irregularidades que, segundo o grupo, comprometeriam a legitimidade do resultado.
“Denunciamos a falta de transparência dos órgãos que conduzem o processo eleitoral, a mudança das regras eleitorais no meio do processo, uma série de irregularidades, motivos para anulação e manobras político-midiáticas que ameaçam a justiça eleitoral e a vontade soberana do povo peruano”, declarou o partido no comunicado.
A manifestação foi convocada para ocorrer em várias regiões do Peru. Protestos e vigílias foram chamados para esta quarta-feira (17), em um momento de forte tensão política no país.
Posição contrasta com declaração anterior
A decisão do Juntos por el Perú contrasta com a posição indicada dias antes por uma porta-voz da coalizão. Anahí Durand havia afirmado que respeitaria a votação e que isso não entraria em conflito com o reconhecimento dos resultados oficiais definidos pelas autoridades eleitorais, segundo informou o jornal La República.
A mudança de tom ocorre em meio ao avanço de Keiko Fujimori na contagem oficial dos votos. Apesar da vantagem, tanto Keiko quanto Roberto Sánchez evitaram se declarar vencedores antes da conclusão da apuração.
Keiko Fujimori lidera por margem estreita
Com 99,111% das urnas processadas até as 19h42 desta terça-feira (16), Keiko Fujimori aparecia na liderança com 50,090% dos votos válidos. Roberto Sánchez, candidato de esquerda, somava 49,910%.
A diferença entre os dois era de 36.973 votos, em um universo de 27 milhões de eleitores aptos a votar. A contagem oficial do segundo turno presidencial começou logo após o encerramento da votação, em 7 de junho de 2026.
A margem estreita manteve a disputa em aberto ao longo da apuração. Na semana anterior, Keiko afirmou que “teremos dias longos pela frente”. Sánchez, por sua vez, disse a apoiadores que a eleição estava em “empate técnico” e que o resultado seguia indefinido.
Disputa também repercute no Congresso
Além da corrida presidencial, a composição da Câmara peruana também foi definida. A bancada aliada de Keiko conquistou 41 cadeiras, enquanto o Juntos por el Perú, coalizão que apoia Sánchez, ficou com 32 representantes, segundo o jornal La República.
Ao todo, os resultados finais estabeleceram a distribuição de 130 cadeiras entre seis organizações políticas que conquistaram representação nacional. A contestação do resultado presidencial pelo Juntos por el Perú amplia o clima de incerteza no país, enquanto a apuração caminha para sua fase final.



