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Manifestações no Peru exigem transparência eleitoral

Mobilizações em Lima e outras regiões do país defendem voto popular após disputa apertada no segundo turno

Manifestantes exigem transparência na apuração eleitoral no Peru (Foto: Telesur)
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247 - Protestos no Peru cobram transparência eleitoral em meio à reta final da apuração do segundo turno presidencial, marcada por mobilizações em Lima e em regiões como Chiclayo, Arequipa, Puno e Ayacucho em defesa do voto popular.

De acordo com a teleSUR, o presidente interino do Peru, José María Balcázar, anunciou neste domingo (14), que decidiu encurtar uma viagem oficial à Europa para permanecer em Lima e coordenar ações voltadas à preservação da ordem pública diante da possibilidade de novos protestos enquanto avança a conclusão da contagem dos votos.

Balcázar altera agenda oficial

O Congresso peruano havia autorizado a viagem do presidente interino entre segunda-feira, 15 de junho, e sexta-feira, 19 de junho. A agenda previa uma visita de Estado, com encontro com o papa Leão XIV no Vaticano e reuniões com autoridades em Roma e Paris.

Balcázar, no entanto, informou que viajará apenas no dia 18 para se reunir com o pontífice e retornará em seguida à capital peruana. Segundo ele, sua presença no país se tornou prioridade em razão da proximidade do fim da apuração do segundo turno.

A disputa colocou frente a frente a candidata de extrema-direita Keiko Fujimori, do partido Força Popular, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru. No momento da reportagem original, a apuração estava 98,593% concluída, e o Escritório Nacional de Processos Eleitorais, a ONPE, informava que não havia mais cédulas a serem apuradas. Ainda assim, 1.305 atas permaneciam pendentes e seriam encaminhadas ao Tribunal Eleitoral Especial, o JEE.

Resultado apertado aumenta pressão política

Naquela etapa da contagem, Fujimori somava 9.075.116 votos, enquanto Sánchez registrava 9.056.638. A vantagem da candidata de direita era de 18.478 votos, margem considerada estreita diante do volume total de votos contabilizados.

Balcázar afirmou que, pela responsabilidade institucional do cargo que ocupa à frente do Executivo, precisava permanecer em Lima para evitar interferências no processo eleitoral. Ele disse ainda que se reuniria com a Polícia e as Forças Armadas para avaliar a conjuntura e antecipar cenários que pudessem exigir atuação das autoridades competentes.

O presidente interino também destacou a importância de respeitar as marchas de setores populares e garantir que as manifestações se mantenham pacíficas.

Atos ocorrem em Lima e no interior

No sábado, grupos sociais, sindicatos e cidadãos marcharam pelo centro de Lima. As mobilizações defenderam a transparência eleitoral e cobraram investigação de irregularidades atribuídas à direita durante o segundo turno.

Demandas semelhantes foram registradas em Chiclayo, no norte do país, e também nas regiões de Arequipa, Puno e Ayacucho, no sul peruano. Alguns manifestantes pediram que os Estados Unidos respeitassem o resultado das eleições no Peru.

Juntos por el Perú pede anulação de seções

Em meio às cobranças por transparência, a organização Juntos por el Perú apresentou na noite de sábado um pedido de anulação dos resultados de 294 seções eleitorais na Argentina.

No mesmo dia, a legenda anunciou que também solicitaria a anulação de 1.657 seções eleitorais em Lima e de 652 nos Estados Unidos. Ao todo, a organização de esquerda afirmou ter identificado irregularidades em aproximadamente 2.400 seções eleitorais, cujas atas de apuração pretende revisar.

Sánchez cobra recontagem dos votos

Neste domingo, durante uma visita ao sul do Peru, região onde concentra maior apoio, Roberto Sánchez exigiu que as autoridades eleitorais realizassem uma recontagem dos votos do segundo turno.

"Reafirmamos nossa exigência de transparência, respeito à democracia e ao voto do nosso povo", afirmou Sánchez. Ele acrescentou que "ninguém deve se opor a esta recontagem, para que todo o povo saiba, mesmo que seja por um voto, quem obterá a vitória eleitoral".

Na sexta-feira, Sánchez havia proposto a Fujimori que ambos apresentassem conjuntamente uma ação judicial para revisar a contagem de votos, mas a candidata recusou a iniciativa.

O candidato de esquerda também ressaltou a necessidade de esclarecer as irregularidades apontadas por representantes eleitorais do Juntos por el Perú, argumentando que isso permitiria ao país alcançar estabilidade e resolver controvérsias em torno do resultado.

Ao mesmo tempo, Sánchez convocou seus apoiadores a defenderem o voto popular por meio de manifestações pacíficas e dentro da ordem democrática.

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