Vandalismo não ficará impune, afirma Díaz-Canel após ações violentas em Cuba
Presidente cubano diz que reclamações são legítimas quando feitas com respeito à ordem pública
247 - O presidente de Cuba e primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista, Miguel Díaz-Canel, condenou os atos de vandalismo registrados recentemente no país e afirmou que episódios de violência contra instituições públicas não ficarão sem punição.
Em publicações nas redes sociais, o dirigente reconheceu o impacto dos prolongados apagões que afetam a população cubana, mas ressaltou que a violência não pode ser tolerada.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, Díaz-Canel afirmou que a insatisfação popular causada pelas dificuldades energéticas tem explicação no agravamento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.
Em mensagem publicada na rede social X, o presidente cubano declarou: "O desconforto causado em nossa população pelos prolongados apagões é compreensível, como consequência do bloqueio energético dos EUA, cruelmente intensificado nos últimos meses."Ele acrescentou que manifestações de descontentamento podem ocorrer, desde que respeitem as normas da convivência social. "E as queixas e reclamações são legítimas, desde que sejam feitas com civilidade e respeito pela ordem pública."
O chefe de Estado foi enfático ao rejeitar ações violentas contra instituições públicas. "O que jamais será compreensível, justificado ou aceitável é a violência e o vandalismo que ameaçam a tranquilidade pública e a segurança de nossas instituições." Em seguida, reforçou: "Não haverá impunidade para o vandalismo e a violência."
Governo aponta impacto do bloqueio energético
Também por meio da rede X, Roberto Morales Ojeda, secretário de Organização do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, comentou a situação energética que tem provocado apagões em diversas regiões do país.
De acordo com ele, a escassez de combustível — agravada pelo bloqueio energético imposto pelo governo dos Estados Unidos — dificultou o funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, contribuindo para o aumento das interrupções no fornecimento de energia.
Morales Ojeda afirmou que o descontentamento popular diante da crise energética é compreensível, mas condenou episódios de violência. "A frustração que essa situação gera em nosso povo é compreensível, mas a violência, o vandalismo e a desordem são inaceitáveis e certamente não são a forma de resolvê-la. Em Cuba, o respeito à lei, às instituições e à responsabilidade cívica prevalecerão."
Incidente em Morón está sob investigação
O Ministério do Interior informou que investiga atos de vandalismo ocorridos na cidade de Morón, situada no norte da província de Ciego de Ávila. Segundo comunicado divulgado em redes sociais, um grupo de pessoas saiu às ruas por volta da meia-noite de sábado com reivindicações relacionadas principalmente à situação do fornecimento de energia elétrica e ao acesso a alimentos.
A maioria dos participantes era residente do conselho popular de El Vaquerito. De acordo com o relato oficial, a mobilização começou de forma pacífica e houve troca de palavras com autoridades locais.
No entanto, a situação evoluiu para atos de vandalismo contra a sede do Comitê Municipal do Partido. Um pequeno grupo teria apedrejado a entrada do prédio e ateado fogo na rua utilizando mobiliário da área de recepção.
Relatórios preliminares baseados em publicações nas redes sociais indicam que outros estabelecimentos também foram afetados, entre eles uma farmácia e uma loja da rede Tiendas Caribe.
Até o momento do fechamento das informações divulgadas pelas autoridades, cinco pessoas estavam sob custódia. Outra pessoa, que teria sofrido uma queda enquanto estava embriagada, recebia atendimento no Hospital Geral Roberto Rodríguez.
As forças especializadas do Ministério do Interior seguem conduzindo investigações para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

