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Maria Luiza Franco Busse

Jornalista há 47 anos e Semiologa. Professora Universitária aposentada. Graduada em História, Mestre e Doutora em Semiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com dissertação sobre texto jornalístico e tese sobre a China. Pós-doutora em Comunicação e Cultura, também pela UFRJ,com trabalho sobre comunicação e política na China

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8 de janeiro e o mundo em aberto

Neste 08 de janeiro de 2026 o Brasil vai celebrar a vitória contra o Fascismo, consciente ou não, que em 2023 atentou contra a democracia brasileira em disputa

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva vistoria destruição no Palácio do Planalto (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Um dia seria apenas mais um dia não fosse o sentido impresso pelos acontecimentos. O 3 de janeiro deste 2026 na Venezuela e o 8 de janeiro de 2023 no Brasil são ocorrências de permanente lembrança, necessária para que não se repita a brutalidade da ingerência externa e interna na autodeterminação dos povos na escolha de governantes e do modo como desejam viver.

Na madrugada do último dia 03 a República Bolivariana da Venezuela foi bombardeada por ordem do ditador imperialista presidente dos Estados Unidos. Forças especiais entraram em solo venezuelano, sequestraram o presidente Nicolás Maduro junto com sua mulher Cília Flores, e mataram 80 militares e civis que resistiram. O casal foi algemado e levado para os Estados Unidos. 

Na segunda-feira, dia 05, enquanto passavam por audiência de custódia no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, Nova Iorque, e refutavam a acusação de serem narcoterroristas, manifestantes foram às ruas em diversas cidades do Brasil em protesto contra a ação e pela libertação de Maduro e Cília, que agora se encontram presos no Centro de Detenção Metropolitano, há poucos metros do Tribunal. 

No Rio de Janeiro, matou a saudade quem estava com nostalgia da presença da juventude de esquerda e progressista nos atos de rua. As vozes amplificadas no carro de som eram de jovens representando partidos, sindicatos, entidades e movimentos sociais. Bandeiras de todos os partidos de esquerda e progressista voltaram a se unir na Cinelândia, praça de tradicional palco de luta no centro da cidade, de onde saíram em caminhada até o consulado dos Estados Unidos.

Defronte ao prédio, a manifestação sofreu ataque cibernético. Um barulho alucinante semelhante a rajada de metralhadora invadiu o sistema de transmissão do carro de som. Foram quase dois minutos, tempo suficiente para imaginar a potência cibernética que cegou os radares venezuelanos, pegou de surpresa a defesa organizada do país, e permitiu que fosse realizada a ‘Operação Determinação Absoluta’ de sequestro, sem perda de vida dos militares estadunidenses. Satisfação que o ditador dos Estados Unidos precisava para calar a oposição e não ficar mal com seus eleitores contrários a novos conflitos armados.

Neste 08 de janeiro de 2026 o Brasil vai celebrar a vitória contra o Fascismo, consciente ou não, que em 2023 atentou contra a democracia brasileira em disputa. Na ocasião, a capital da República foi sitiada e os prédio públicos violados e depredados. Cenário político restaurado, em Brasília haverá festa cívica organizada pelo governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Espera-se a presença da população nesta data que se soma aos marcos históricos da soberania, da independência e da liberdade. 

Também estão programadas celebrações em todo o país. O combate à relação casada e desabrida de fascismo neoliberal e imperialismo será ouvido nas palavras-de-ordem “Soberania”, “O Brasil não é quintal de ninguém”, “Respeito à Venezuela”, “Liberdade para Maduro e Cília, e “Palestina Livre”.  

Num 8 de janeiro de 1976 faleceu Zhou Enlai. Por 27 anos Primeiro-Ministro da Nova China, proclamada em 1º de outubro de 1949, e Ministro das Relações Exteriores por 9 anos, Zhou manteve o princípio da política externa da República Popular da China aprovado na Conferencia Consultiva Política do Povo Chinês, em 1950, e até hoje em curso, que determinou  “ a proteção da independência, da liberdade, da integridade e soberania de nosso país, a defesa da paz internacional duradoura e da cooperação amistosa entre os povos de todos os países, além da oposição às políticas imperialistas de agressão e guerra”. 

Na América Latina, o venezuelano Simon Bolívar comandou a luta de libertação contra o domínio espanhol. Ficou conhecido como “Libertador”, e 178 anos depois da independência da Venezuela seu sobrenome foi transformado no adjetivo Bolivariano/a, sinônimo de soberania, e incorporado à nova república popular refundada em 1999 pelo presidente Hugo Chávez.

Zhou e Bolívar não foram contemporâneos de vida. Mas cada um no seu tempo e de lado do mundo compreendeu muito bem o quanto o imperialismo é capaz de espalhar miséria e humilhação em razão do seu próprio benefício.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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