A arte como guardiã da memória de um país
O estímulo permanente à cultura é essencial para manter viva a memória da sociedade
Pelo segundo ano consecutivo, uma produção brasileira concorre à maior premiação do cinema mundial, o Oscar. Nesta edição, o filme O Agente Secreto, escrito e dirigido pelo cineasta Kleber Mendonça, foi indicado a importantes categorias da premiação: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco.
Estrelado pelo ator baiano Wagner Moura, o longa é ambientado na cidade do Recife (PE), durante a Ditadura Militar, em 1977. O ator dá vida a Marcelo, um professor universitário especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal tentando escapar de uma perseguição violenta e se esconder do regime, enquanto busca compreender aspectos do passado de sua mãe. Mesmo sendo perseguido por matadores de aluguel, o ex-professor tenta encontrar um pouco de paz e deixar o Brasil clandestinamente na companhia de seu filho pequeno, que vive com os avós maternos.
Embora apresente uma nova narrativa, o pano de fundo retratado pelo filme remete a uma realidade bem conhecida dos brasileiros: a ditadura militar, que perseguiu, prendeu e matou adversários políticos entre 1964 e 1985.
No ano passado, o filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar na categoria de Melhor Filme Internacional, também retratou o drama e as dores de uma família marcadas pelos anos de chumbo da ditadura.
As coincidências entre as duas produções não se restringem apenas às perseguições do regime militar aos personagens centrais das histórias. Mais do que isso, a indicação de dois filmes brasileiros ao Oscar mostra que a arte salvou e continua salvando a cultura e a memória de um povo.
Em tempos em que os meios digitais ocupam um espaço cada vez maior na vida das pessoas, a arte torna-se ainda mais fundamental para manter viva a memória coletiva. Além disso, atua como ferramenta de transformação social e estímulo ao pensamento crítico, sobretudo quando se tenta negar a realidade ou parte dela.
Nesse cenário, torna-se cada vez mais urgente que a sociedade como um todo, incluindo Estado, sociedade civil e empresas públicas e privadas, reconheça e valorize a importância da arte como instrumento de luta, resistência e preservação da história de um povo.
Para a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), o estímulo permanente à cultura, seja por meio de leis de incentivo ou de políticas públicas voltadas às diversas manifestações culturais presentes no Brasil, é essencial para manter viva a memória da sociedade.
Há anos, a Fenae adota uma política de incentivo à arte e à cultura em suas diversas iniciativas. Um exemplo disso ocorre neste fim de semana, quando o Brasil acompanhará a premiação do Oscar e a Federação realiza o Inspira Fenae 2026, um dos eventos mais importantes voltados aos empregados da Caixa. O encontro reúne nomes relevantes da arte, da cultura e do pensamento crítico brasileiro.
Entre os palestrantes do Inspira Fenae 2026 está o jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva, autor do livro Ainda Estou Aqui, que deu origem ao filme homônimo premiado com o Oscar no ano passado. Mais do que uma narrativa literária, a obra retrata o drama vivido por sua família ao contar a história do desaparecimento e assassinato de seu pai pelo regime militar.
Para além das telas, a Fenae entende que a arte preserva identidades, estimula a criatividade e atua como um importante agente de transformação social, ao questionar desigualdades e promover a empatia entre os seres humanos. Assim como em O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, a arte não serve apenas para narrar histórias. Ela impede que elas sejam esquecidas.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



