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Tânia Maria de Oliveira

Secretária-Executiva Adjunta Secretaria-Geral da Presidência da República

87 artigos

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A dama de vermelho

Deslumbrante, Janja disse, sem dizer, que o dissenso é princípio da democracia

Janja e Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
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Diferente do que se possa pensar, o texto não é uma crônica sobre o filme estadunidense da década de 80. O título apenas serve de alegoria para falar de um tema importante da política.

Havia grande expectativa em torno do desfile do Dia da Independência neste ano de 2023. Isso porque o 7 de setembro, como data nacional, serviu nos últimos quatro anos como palanque do então presidente Jair Bolsonaro para atacar as instituições, ameaçar os demais poderes e insuflar seguidores a manter-se mobilizados para tentar um golpe de Estado caso não se sagrasse vencedor nas eleições.

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Há exatos dois anos Bolsonaro gritou, em plena Avenida Paulista para milhares de apoiadores, que não mais respeitaria decisões do ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal, referindo-se a ele como “canalha”. No ano de 2022 as comemorações foram marcadas pelo coro de “imbrochável”, puxado por ele em referência a si próprio, no palanque montado na Esplanada dos Ministérios em Brasília.

A exemplo de regimes de extrema-direita pelo mundo, o bolsonarismo operou uma apropriação dos símbolos nacionais como se representassem suas ideologias. De tal modo que o uso da camisa da seleção brasileira de futebol e da bandeira nacional foram fartamente utilizadas inclusive no momento do cometimento de crimes, como os atentados do dia 08 de janeiro contra a sede dos Três Poderes.

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Em busca da demonstração da importância do respeito ao Estado Democrático de Direito, do funcionamento regular das instituições e da pacificação do país, o governo Lula organizou a comemoração do Dia da Independência neste ano com o tema Democracia, Soberania e União, sinalizando que é preciso termos de volta os valores reais para nossa bandeira e o orgulho de usar verde e amarelo.

O sentimento de pertencimento que as cores da nação evocam é importante. Ao mesmo tempo em que não se pode transformar seu uso em algo absoluto ou obrigatório, porque significaria aceitar o discurso proclamado pela extrema-direita e taxar o uso de outras cores como antipatriótico. Seria assumir o marketing totalitário e desonesto que alardeiam.

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Nesse sentido, o grande exemplo no desfile da Independência coube à nossa primeira-dama Janja Lula da Silva que, deslumbrante em um elegante vestido vermelho e usando acessórios indígenas, sinalizou silenciosamente que as cores isoladamente não são o que determinam nossa identidade, nosso compromisso com o país e com a democracia.

Ela disse, sem dizer, que o dissenso é princípio da democracia, que aliás é fundamento do próprio regime, que precisa admitir sempre a diversidade em sua complexidade e riqueza humana, para conseguir processar os conflitos existentes na sociedade e construir os necessários consensos.

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Estamos remontando um país após quatro anos de um projeto golpista neoliberal e autoritário, violento e regressivo em que, mesmo após a descoberta de uso do aparelho de Estado para grandes esquemas de corrupção, ainda há apoio ao projeto derrotado nas urnas.

Então é preciso prestar atenção com calma em como reverter os elementos que manipularam a opinião pública, onde a contradição entre se “fantasiar de verde amarelo” enquanto promoviam a destruição do país foram camufladas.

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A cor vermelha - que como já disse o presidente Lula em certo momento é a cor da bandeira do seu partido e não da bandeira do seu país - é símbolo das lutas por igualdade e justiça social em todo o mundo.

Janja, a dama de vermelho na Festa da Independência, sinalizou que a liberdade cromática aponta esse novo tempo para o Brasil e para o povo brasileiro em que, além da construção da igualdade e equidade, da justiça social e sustentabilidade, tem o respeito à diversidade como método.

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