A dura vida de um bilionário brasileiro
Quero uma festa como aquela que você organizou em Nice. Tudo do bom e do melhor e quando eu falo bom e melhor é isso mesmo. Sou bom e sou o melhor
- Quanto custa? Imagina. Três milhões e duzentos mil? Que absurdo. São cem mil a mais do que você havia me prometido. Não posso aceitar essa diária do jatinho de jeito nenhum. Soma aí os sete dias. Vou gastar muito. Entendo, mas ainda tenho que arcar com as despesas dos helicópteros para pegar as pessoas, do serviço de bordo do hotel nas escalas e do barco nas Seychelles. Está pensando que eu sou o quê? O maior ladrão do Brasil? Quando eu te pedi para fazer essa agenda pra mim te pedi para maneirar nos preços também. Quer me ver pobre?
- Ok, amigo, pode relaxar. Vou apertar o fornecedor para diminuir esses valores. E quanto ao hotel? Tudo bem ser o Four Seasons de lá? A diária você sabe, 12 mil, mas em compensação serviço de primeira.
- Isso tá ok. Vamos ficar 3 dias, depois vou seguir para a Tailândia. Lá vamos pegar aquele barco que eu já aluguei uma vez. Continua a 150 mil por semana? Se for assim tá fechado.
- Continua, mas tem que pagar separado o vinho, as lagostas, o camarão, as dançarinas e as acompanhantes. Quantos vocês são?
- Somos 9, incluindo o senador e o governador. Quatro acompanhantes, está bom. Mas tem que ser de primeira classe, falando francês fluente para entender a comissária de bordo. Meus convidados não falam nada mesmo. Político brasileiro, sabe como é.
- E o senhor?
- Eu vou acompanhado da minha noiva. Noiva sim. Vamos casar, mas aí é outra história. Deve ser em Nevada, no deserto, sei lá ou em Yellowstone. Ainda tenho que decidir. Vai depender de quantas pessoas minha noiva vai querer levar.
- Posso reservar então?
- Sim, e provavelmente o hotel inteiro. Pobre adora viajar em grupo. São os males do ofício. Eu não vim de baixo? Ela também, mas hoje é influencer. Tem mais de 3 milhões de seguidores. Influencia um monte de coisas, nem sei. Algumas marcas de roupa, de creme, por aí...E o eleitorado.
- Sei quem é. Eu sigo ela.
- Pois é, você e mais a torcida do Olympique de Marseille. Ela viveu lá. Começou lá esse comércio. Ela traz umas coisas no meio. Sei lá o quê e faz publis, muitas publis sobretudo para essas empresas de apostas. Tigrinho pra cá, oncinha pra lá, leãozinho e o escambau.
- Tudo bem, senhor. Está tudo organizado. Partimos dia 14, pode ser?
- Claro e você vem junto comigo. Quero uma festa como aquela que você organizou em Nice. Tudo do bom e do melhor e quando eu falo bom e melhor é isso mesmo. Sou bom e sou o melhor.
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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


