A festa da morta

A literatura é uma morta. Uma mulher morta. Quando o mundo se desordena no sublime do pós gênero, a literatura ainda chafurda em modos cadavéricos numa festa que exalta o suicídio da musa

A literatura é uma morta. Uma mulher morta. Quando o mundo se desordena no sublime do pós gênero, a literatura ainda chafurda em modos cadavéricos numa festa que exalta o suicídio da musa
A literatura é uma morta. Uma mulher morta. Quando o mundo se desordena no sublime do pós gênero, a literatura ainda chafurda em modos cadavéricos numa festa que exalta o suicídio da musa (Foto: Tracy Segal)
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A literatura é uma morta. Uma mulher morta. Quando o mundo se desordena no sublime do pós gênero, a literatura ainda chafurda em modos cadavéricos numa festa que exalta o suicídio da musa. Sim Ana C vive!  Mas não é dela, ou de suas palavras que falam na cidade do príncipe. A grande homenageada é o suicídio da musa, esse ícone da literatura moderna.  Homens de toga discutem a beleza, essa mulher morta. Cremam sua voz, emudeceram Ana C e todas elas. Porque o que importa é a cara oca e os olhos baços de defunta sobre a mesa decorada com flores e velas.

O velório límbico, as luzes ofuscantes em mesas para dissecar a literatura em óbito. Ana C é só um enfeite, uma jóia fria, um pretexto para o onanismo fálico falido diante das musas mortas. As musas são sempre mortas.

Venham as antimusas como Juliana Frank e Gabriela Wiener para descompassar a festa testoteronica. Vivas. A homenagem a Ana C precisa ser selvática, uterina. Elas sapatearam nas mesas cinzas desses pobres de gênero. Regurgitaram a porra engasagada e cuspiram de volta sua beleza além da pobreza da divisão anacrônica dos sexos. Gabriela usa seu corpo como campo para investigar o sexo, seu corpo é sua escrita. Juliana flana por realidades múltiplas transcendendo a linha cartesiana da realidade e ficção.  As togas não conseguem ver o outro, o onanismo é mais seguro.  Rejeitam a outra, usam Ana como escudo para se defenderem das hordas femininas numa homenagem putrefada. Não nos calamos mais.  O grito agudo atravessará seus cerebelos em conserva e dançaremos ao redor das fogueiras das vaidades comendo seus fígados como aperitivo.

Ana C. Vive!

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