A gastronomia e os desafios da alimentação contemporânea – parem de nos envenenar

De que forma(s) nós podemos reduzir a ingestão de produtos que nos envenenam, não só os agrotóxicos mas também substâncias que, em excesso ou sem controle, fazem mal ao nosso organismo, como o sal/sódio, o açúcar e substâncias químicas usadas na fabricação de alimentos processados e ultraprocessados?

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Vai acontecer no Rio, nos próximos dias 29, 30 e 31 (quarta, quinta e sexta), no Museu de Arte do Rio (MAR), o "1º Fórum Regional das Cidades Latino-Americanas Signatárias do Pacto de Milão", que vai discutir a "Alimentação nas cidades e territórios da América Latina: incrementando a sustentabilidade, fortalecendo identidades e reduzindo a desigualdade". A realização é da Prefeitura do Rio.

O Pacto de Milão sobre a Política de Alimentação Urbana, criado em 2015, em Milão (Itália), conta com a adesão de 187 cidades de vários países, sendo seis brasileiras: Belo Horizonte, Curitiba, Guarulhos, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

Diversos prefeitos e representantes das cidades signatárias do pacto, bem como profissionais ligados ao setor da alimentação, estarão discutindo o assunto.

Fui convidado para participar da Roda de Conversa, ao lado de outros cinco profissionais da alimentação, que marcará o lançamento do projeto "Chefs na Feira", uma parceria com o projeto Olhar Saudável. Tema da Roda de Conversa: "A gastronomia e os desafios da alimentação contemporânea".

Pretendo usar os 10 minutos da minha apresentação para dizer que o principal desafio, quando se fala de segurança alimentar é: de que forma(s) nós podemos reduzir a ingestão de produtos que nos envenenam, não só os agrotóxicos mas também substâncias que, em excesso ou sem controle, fazem mal ao nosso organismo, como o sal/sódio, o açúcar e substâncias químicas usadas na fabricação de alimentos processados e ultraprocessados.

Isso pode ser feito de várias maneiras, a começar pela continuidade da nossa luta cotidiana contra o uso indiscriminado de agrotóxicos. Como se sabe, o Brasil é o país onde mais se usam agrotóxicos. Não são dezenas, centenas; são milhares. E a coisa não para: até o dia 21 de maio, o governo Bolsonaro já tinha liberado 197 registros de novos agrotóxicos, um recorde. Destes, 26% não são permitidos na União Europeia.

Também funciona a campanha permanente para a produção de alimentos de base agroecológica. O que a gente já vem fazendo tem dado certo: em 2012 havia quase 6 mil produtores de alimentos orgânicos registrados no Ministério da Agricultura; em março de 2019, 17.730. Um aumento de quase 300%. Ainda não dá para competir com o agronegócio, mas devagar a gente chega lá.

A Dinamarca, por exemplo, começou há 25 anos uma política agrícola-ambiental que pretende torná-la, até 2020, o primeiro país do mundo a ter sua produção de alimentos 100% orgânica. Está conseguindo isso graças a um forte trabalho de conscientização e por intermédio de subsídios para os pequenos agricultores. Tudo bem, a Dinamarca é um país pequeno (5,8 milhões de habitantes), mas é um exemplo a ser seguido
Aqui, podemos começar pelos municípios pequenos e médios, convencê-los a elaborar programas e políticas de produção de produtos agroecológicos, para atender, num primeiro momento, o comércio local.

E já há exemplos interessantes.

Em 2017, a Câmara Municipal de Porto Alegre promulgou a lei que institui, na área rural do município, a Zona Livre de Agrotóxicos à Produção Primária e Extrativa. Os agricultores têm um prazo de 15 anos para adaptação à nova lei. Através da iniciativa, o município deverá "incentivar a produção rural orgânica e sustentável, com ampliação de tecnologias que permitam a manutenção do meio ambiente; incentivar o cooperativismo e o associativismo na produção e na comercialização dos produtos agroecológicos; e incentivar a prevenção e a recuperação dos recursos hídricos da região".

A prefeitura de Pomerode, no Vale do Itajaí (SC), proibiu, por intermédio de decreto, no início deste ano, as secretarias do município de comprarem biscoitos recheadas, salgadinhos, frituras, sucos industrializados e refrigerantes, entre outros itens ultraprocessados. A meta para este ano é diminuir em pelo menos 50% o consumo de açúcar. Atualmente, a população da cidade tem índice de sobrepeso acima da média nacional.

Incentivar as pessoas a cozinharem, a produzir seus próprios alimentos a partir do uso de ingredientes in natura, é outro caminho. Cozinhar é um ato sustentável. Com o incentivo ao ato de cozinhar, desestimula-se o uso indiscriminado de alimentos processados e ultraprocessados. Muita gente faz da ingestão desses alimentos a base de sua alimentação, o que causa o surgimento de doenças como diabetes, hipertensão, obesidade etc.
Isso é o básico e um bom começo.

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