A hegemonia dos Estados Unidos vem de outros carnavais
Poderio bélico, poderio militar, armas químicas, domínio dos mares, bombas nucleares, estes elementos constituem a árvore hegemônica norte-americana
Há autores que acreditam que os Estados Unidos ainda detêm um poder global ou uma hegemonia. Para Fiori (2004 p. 95) "os impérios não têm interesse em operar dentro de um sistema internacional; eles aspiram a ser o próprio sistema internacional". Fiori admite que os EUA passam por um período conturbado e que enfrentarão muitas e crescentes dificuldades nos próximos anos para manter o controle global político e econômico, contudo "não há sinais econômicos ou militares de que estas dificuldades sejam parte de uma crise terminal".
Emir Sader vê a hegemonia como uma relação de forças, adotando como argumento o fato de que neste momento não há nenhum país, ou outro poder qualquer, que possa ser uma ameaça contra-hegemônica ao poder dos Estados Unidos. Não há no mundo atual um movimento contra-hegemônico capaz de mudar tal situação.
As afirmações acima são de 2008, e no entanto parecem atuais, os últimos acontecimentos comprovam o fato: o recente sequestro do presidente Maduro na Venezuela, e as intenções da nova doutrina Donroe, fazendo lembrança à doutrina Monroe de 1823, na visão do chefe maior dos Estados Unidos: Donald Trump.
Poderio bélico, poderio militar, armas químicas, domínio dos mares, bombas nucleares, estes elementos constituem a árvore hegemônica norte-americana.
"— A Doutrina Monroe é muito importante, mas nós a superamos bastante. Muito mesmo. Agora a chamam de Doutrina "Donroe", mas não sei. É a Doutrina Monroe — disse Trump a partir de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, durante uma coletiva de imprensa que atraiu a atenção de todo o mundo". O fragmento ao lado (extraído do jornal O Globo) exibe a hegemonia do país - que durante o tratado de Versalhes - criou bastante celeuma ao participar da comissão de reparação dos danos causados aos países vencedores da Primeira Grande Guerra Mundial, como por exemplo, a Alemanha.
Os termos do Tratado de Versalhes foram duríssimos. O Legislativo norte-americano, por exemplo, optou por não reconhecer o tratado e, assim, os Estados Unidos, um dos países que estiveram diretamente envolvidos com sua elaboração, não o ratificaram.
Na Alemanha, as cláusulas do documento foram consideradas humilhantes. A opinião da sociedade alemã com os termos foi resumida pelo historiador Richard J. Evans:
- O senso de ultraje e incredulidade que varreu as classes média e alta alemãs como uma onda de choque foi quase geral e teve impacto maciço também sobre muitos operários apoiadores dos social-democratas moderados. […] A maioria dos alemães sentiu de repente que o país havia sido brutalmente expulso da categoria das grandes potências e coberto com o que consideravam uma vergonha indevida. O Tratado de Versalhes foi condenado como uma paz ditada, imposta de forma unilateral sem possibilidade de negociação.|5|
A experiência da derrota e as consequências dela para a economia alemã contribuíram para que o país começasse a ser politicamente dominado por grupos com ideologias políticas radicais. A crise econômica causada pela guerra e pelas indenizações do tratado levou o país a enfrentar uma hiperinflação.
O contexto político do país no pós-guerra, com o domínio dos social-democratas e a humilhação que muitos soldados alemães enfrentaram ao retornarem ao país, contribuiu para que, nos meios militares alemães, teorias conspiratórias e ideais radicais fossem alimentados. Esse clima de descontentamento político gerou ressentimento e violência, orientando muitos à extrema-direita. Aqui no Brasil, o extremismo de direita é também rancoroso, porém, na balança de perdas e ganhos, tanto os "esquerdistas", como os "direitistas", alguns deles, é claro, se preocupam especialmente com seus ganhos ilícitos, vide o caso Master, e o vexatório caso do INSS: tais episódios não têm nada a ver com nacionalismo.
Bem, um pouquinho de História não faz mal a ninguém, e a tal hegemonia dos U.S.A também apareceu reluzente, quando seus representantes à época da celebração do Tratado de Versalhes não o ratificaram na hora H. Sua soberania respirou com pulmões de aço.
O que esta potência/símbolo parece transparecer é que se correr o bicho pega, e se ficar o bicho come, será?
#ValReiterjornalismolivre
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



