A militância na Era da Internet

Nos últimos anos surgiram vários comunicadores de esquerda que estão a fazer um trabalho de propaganda, formação e divulgação política nas redes, intervenção de muita importância e valor

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No episódio #165 do podcast “Lado B do Rio” retirou-se mais um véu de algo que tem me incomodado há alguns anos: a falta de uma estratégia de comunicação da e para a esquerda (tanto a moderada como a radical). Tal fato acredito ser um reflexo do que a socióloga Sabrina Fernandes (Tese Onze) classificou como fragmentação da esquerda brasileira.

Nos últimos anos surgiram vários comunicadores de esquerda que estão a fazer um trabalho de propaganda, formação e divulgação política nas redes, intervenção de muita importância e valor. Contudo, o alcance é diminuto comparado aos comunicadores da direita conservadora e reacionária.

Os motivos de tal constatação são muitos. De um lado, eles (serviçais da direita) têm todos os aparelhos ideológicos, equipamentos, equipe de produção, algoritmo e o capital (Think Tanks) ao seu favor para que consigam atingir milhões de pessoas. Por outro lado, as/os companheiras e companheiros que fazem um trabalho de comunicação anticapitalista nas redes tem sido um esforço quase que exclusivamente individual, sem apoio de qualquer estrutura partidária, coletiva ou sindical. Por isso é de se louvar o trabalho e esforço hercúleo de camaradas como Chavoso da USP, Laura Sabino, Dimitra Vulcana, do Lado B do Rio e muitos outros que já indiquei noutro artigo “Elas/Eles são fomentadores de parte do meu otimismo da vontade!”. Algo me perturba: se algum deles não conseguir dar continuidade ao seu trabalho?

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Outro ponto levantado no mesmo programa foi o fato de políticos de relevância nacional não contribuírem de forma efetiva para a divulgação do trabalhado desses comunicadores. A título de exemplo, no mês de Setembro o ex-presidenciável Fernando Haddad, entre matéria do Globo, Folha de São Paulo e Estadão, compartilhou 16 artigos, entretanto, da mídia alternativa/independente ao capital foi apenas um artigo do Jornal GGN. Esse comportamento perpassa quase que todas as lideranças partidárias de expressão nacional. Pergunto-me: o trabalho desses comunicadores não é digno de ser compartilhado? Um simples “RT” ajudaria a divulgar o conteúdo de comunicador que procura defender os interesses da classe trabalhadora. Só faremos frente aos avanços do neofascismo se atuarmos de forma integrada e estratégia, mesmo dentro das nossas diferenças táticas e programáticas. 

Dos partidos de expressão nacional e de massa, quais estão preocupados em montar uma equipe de profissionais para pensar numa estratégia de comunicação e propaganda? Bem como, agregar cientistas sociais que consigam analisar a realidade da formação social brasileira a partir do que ela é e não do que se imagina ser?

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É nesse esteio que gostaria de pontuar a fala do antropólogo e podcaster Orlando Calheiros, de que a plataforma de disputa é a da informação. Concordo. Porém, é importante ressaltar que essa é uma das formas de luta, mas a nossa comunicação só terá efetividade se nós enquanto esquerda que pretende apresentar uma alternativa ao capitalismo, estejamos enraizados e solidários com todos os segmentos sociais que sofrem todo o tipo de opressão e exploração de classe.

Por mais que muitos tentem esconder a luta de classes, até mesmo alguns progressistas, ela foi desnudada pela pandemia. Temos que ter uma estratégia de comunicação que não perca de vista que a luta de classe continua sendo o motor da nossa sociabilidade. 

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