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Hélio Doyle

Hélio Doyle é jornalista, foi professor da Universidade de Brasília e secretário da Casa Civil do governo do Distrito Federal

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Aliança com substância e participação

O que faz a diferença é que na Alemanha essa aliança da centro-direita com a centro-esquerda foi feita não em torno de cargos comissionados, mas de um documento de 170 páginas que estabelece as diretrizes do futuro governo

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Nenhum sistema político e eleitoral é perfeito, todos têm defeitos. O da Alemanha, parlamentarista com o chamado voto distrital misto, tem muitos problemas, mas entre os países capitalistas mais desenvolvidos é um dos que permite mais estabilidade para os governos e coerência partidária. A reeleição de Angela Merkel hoje é um bom exemplo.

Merkel é da União Democrata Cristã (CDU), que desde o fim da Segunda Guerra se alia à União Social Cristã (CSU), que atua apenas na Baviera. Governava em aliança com o Partido Liberal Democrático (FDP), em coalizão nitidamente de centro-direita.

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Na oposição a Merkel, no último período, estavam o Partido Social Democrata (SPD), A Esquerda e Os Verdes. Um grupo, assim, identificado com a centro-esquerda.

Nas últimas eleições a CDU e a CSU ganharam sem formar maioria absoluta na Câmara (o Bundestag), obtendo 41,5% dos votos. O caminho natural seria manter a aliança com o FDP, mas esse partido esbarrou na cláusula de barreira: sem ter pelo menos 5% dos votos, um partido não pode ter representantes na Câmara.

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Para formar um governo, Merkel precisaria se aliar aos partidos à sua esquerda, o que é naturalmente complicado. Mas, depois de dois meses de negociações políticas, conseguiu o apoio do SPD, formando assim o que os alemães chamam de “grande coalizão”. A Esquerda e Os Verdes ficaram na oposição.

Pode-se dizer que, até aqui, nada demais. No Brasil, o PT alia-se ao PMDB e outros partidos que dele diferem política e ideologicamente. Sem alianças, nem a CDU de Merkel nem o PT de Dilma governariam.

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O que faz a diferença é que na Alemanha essa aliança da centro-direita com a centro-esquerda foi feita não em torno de cargos comissionados, mas de um documento de 170 páginas que estabelece as diretrizes do futuro governo. Os socialdemocratas conseguiram incluir, entre outras de suas bandeiras, a instituição de um salário-mínimo (que beneficiará 17% da força de trabalho), a dupla cidadania para filhos de imigrantes e novas normas para aposentadorias. E, é claro, os partidos da aliança participarão do gabinete ministerial.

O acordo foi submetido aos 475 mil filiados ao SPD: dos 369 mil que participaram da votação, 75,9% o aprovaram.

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Na Câmara, Merkel recebeu 462 votos, contra 150 e nove abstenções.

Não é um sistema perfeito, mas parece bem mais sério.    

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