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Eric Nepomuceno

Eric Nepomuceno é jornalista e escritor

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Ameaças como essa ficarão impunes?

Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia, repudia ameaças de coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, que falou em ir às ruas para "adentrar" Congresso e STF. "É possível deixar impune semelhante besta-fera?", pergunta

Ameaças como essa ficarão impunes? (Foto: Reprodução)

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

Confesso que até esta terça-feira 24 de agosto eu tive a sorte de jamais ter sabido da existência de um certo Davi Azim, coronel da reserva do Corpo de Bombeiros do Ceará. E então vi vídeos dele, assustadores – e não me refiro apenas aos estupros que ele comete ao idioma falado no Brasil. E nem mesmo pela ausência total de qualquer linha lógica ou sequer vestígio de coerência em seu – digamos – raciocínio.

Assustadores porque ele conclama manifestantes para, sob orientação e comando dele e de militares da reserva, invadir o Congresso e o Supremo Tribunal Federal para prender os integrantes da corte máxima de Justiça do país e levar todos para um tribunal militar.

Disse com todas as letras que se houver alguma resistência, os invasores, sempre seguindo instruções de militares da reserva, saberão reagir. 

Chegou a dizer com todas as letras que pediu aos seus “colegas” da Polícia Militar e – atenção – das Forças Armadas que não resistam aos invasores. E reiterou que, se isso acontecer, ele e as tropas comandadas por aberrações como ele irão reagir.

Em outro vídeo, o mesmo coronel da reserva do Corpo de Bombeiros ameaça diretamente os responsáveis pelo jornal conservador O Estado de S.Paulo, que formou a linha de frente com outras empresas hegemônicas de comunicação para primeiro, depor Dilma Rousseff; depois, louvar um sacripanta chamado Sergio Moro e seus asseclas, e assim, eleger o Genocida.

Para ele, o jornal é claramente um antro de comunistas e corruptos. 

Seria apenas uma aberração ambulante a mais girando na órbita de Jair Messias, mas suas ameaças surgem de maneira concreta, nomeando os alvos da fúria incitada por ele, reflexo claro do que faz o presidente.

Menciona nomes de outros oficiais da reserva – não explicita se também bombeiros ou de alguma das forças armadas – já convocados para comandar as colunas, de cem manifestantes cada uma, que irão “adentrar” o Congresso e o STF.

E acrescenta que tudo isso acontecerá para forçar Jair Messias a dar o tal golpe tão reiteradamente anunciado.

Cabe, então, a pergunta: é lícito um oficial militar da reserva, ainda que do Corpo de Bombeiros, conclamar claramente e com todas as letras uma invasão do Congresso e do STF e que, em caso de resistência, provocará a violência dos invasores coordenados e comandados por oficiais da reserva?

Evidentemente não se trata de um caso de liberdade de expressão ou pensamento. Trata-se claramente de uma incitação à violência contra instituições do Estado e também contra as forças de segurança que por acaso tentarem impedir invasões e prisões de parlamentares e, principalmente, de integrantes da corte suprema de Justiça do nosso país.

Aliás, e por um ato de justiça, vale destacar que ele não fala em “invadir”: usa “adentrar”.

Enfim: é possível deixar impune semelhante besta-fera? É lícito deixar que ele continue por aí dizendo que ninguém pode ir a Brasília só para balançar bandeirinhas, mas sim para “adentrar” Congresso e STF?

Chegamos a esse ponto de inércia, de cumplicidade?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.