Amigos, modelos e Corinthians
Memórias de amizade, trajetória na geologia e paixão pelo Corinthians atravessam décadas entre encontros, distâncias e lembranças que resistem ao tempo
Amigo é coisa para se guardar / No lado esquerdo do peito / Mesmo que o tempo e a distância digam "não" / Mesmo esquecendo a canção / O que importa é ouvir / A voz que vem do coração
Trecho da canção "Amigo" de Milton Nascimento.
Pois é. Tem amigos da época dos 10-20 anos de idade. Tem amigos da época dos 20-40 anos de idade. E por aí vai. Uns permanecem até hoje. Outros que pisaram na bola (ou a gente mesmo pisou) não fazem mais parte do grupo de amigos ou não estão mais entre nós. É a longa e as vezes dura estrada da vida. Mas vamos que vamos.
Recentemente, assisti (on-line) uma interessante palestra durante a aula magna do Programa de Ensino e História de Ciências da Terra (PEHCT) do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Durante a palestra, intitulada “História da Geologia: dos Modelos Históricos de Investigação Geológica aos Modelos de Ensino em Geologia”, ministrada pela Dra. Clara Vasconcelos, professora e pesquisadora na Universidade do Porto (Portugal), pude rever alguns amigos (mesmo a distância) e lembrar quando fizemos um modelo hidrogeológico conceitual preliminar do Aquífero Guarani na região de Ribeirão Preto (SP), na primeira década dos anos 2000 [1].
São Paulo, Rio Claro, Salvador, São Paulo de novo, interior Paulista, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ribeirão Preto, Campinas e Ubatuba são cidades e estados andados em trabalhos de Geologia, com muitas atividades práticas no campo, nesses quase cinquenta anos de profissão. E, Vai, Corinthians! Corinthians, aliás, que somente pude mal ver Campeão Paulista em 1977 pela TV, embarcado numa plataforma da PETROBRAS na Bacia de Campos, num poço pioneiro no Pós Sal.
Tem amigos que não vejo há cinquenta anos mas nos comunicamos por esse jeito moderninho do WhatsApp. Bacana, não? Bom, o que vamos fazer? Ficar chorando pelas tabelas? Que nada, vamos em frente e Vai, Corinthians! Para fechar, no meu modesto modo de entender, lá vai minha minha escalação atemporal do Corinthians [2], num romântico 4-2-4: Cássio; Zé Maria, Ditão, Gamarra e Wladimir; Tião e Adãozinho; Garrincha, Sócrates, Carlito Tévez e Peri. Técnico: Mário Travaglini.
Fontes
[1] Campos H.C.N.S. 2013. Metodologia para estudos da qualidade das águas subterrâneas e sua aplicação para a caracterização hidrogeoquímica do Aquífero Guarani. Terræ Didatica, 9(2):114-131. <http://www.ige.unicamp.br/terraedidatica/>
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8637400/5120
[2] “De seleções e Corinthians”. Crônica de Heraldo Campos de 18/04/2020.
https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2020/04/de-selecoes-ecorinthians-cronica.html
*Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976), mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



