As pessoas em primeiro lugar e não o “deus mercado”

Como porta-voz do mercado financeiro nacional, o presidente do Itaú, Cândido Bracher, foi na semana passada ao Fórum Econômico Mundial de Davos, o altar-mor do “deus mercado”, vender os “êxitos” do governo ilegítimo e corrupto que seu banco ajudou a colocar e manter no poder para fazer exatamente o que está fazendo: destruir os direitos dos trabalhadores e os avanços sociais e impor a agenda neoliberal sucessivamente derrotada nas urnas

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) debate, em audiência pública, a economia brasileira, com ênfase nas perspectivas de crescimento sustentado para os próximos anos. Ilan Goldfajn,economistga-chefe do Itaú Unibanco.
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) debate, em audiência pública, a economia brasileira, com ênfase nas perspectivas de crescimento sustentado para os próximos anos. Ilan Goldfajn,economistga-chefe do Itaú Unibanco. (Foto: Carlos Cordeiro)

Como porta-voz do mercado financeiro nacional, o presidente do Itaú, Cândido Bracher, foi na semana passada ao Fórum Econômico Mundial de Davos, o altar-mor do “deus mercado”, vender os “êxitos” do governo ilegítimo e corrupto que seu banco ajudou a colocar e manter no poder para fazer exatamente o que está fazendo: destruir os direitos dos trabalhadores e os avanços sociais e impor a agenda neoliberal sucessivamente derrotada nas urnas.

Segundo reportagem de “O Estado de São Paulo”, Bracher aproveitou o palco internacional montado todos os anos pelos donos do grande capital no aprazível recanto suíço também para puxar as orelhas do presidente usurpador, lembrando-lhe que falta cumprir uma cláusula do combinado: “Nosso principal problema hoje é o fiscal. É uma questão política – de vontade política e de fazer no Congresso Nacional as costuras necessárias para a reforma da previdência”.

Candido Bracher mostra assim sem pudor nenhum o desejo dos banqueiros e ricos do país em aumentar ainda mais seus lucros ao custo da redução das políticas sociais, em saúde, educação e, principalmente, reduzindo ou acabando com  a aposentadoria de milhares de famílias, aumentando ainda mais a já vergonhosa desigualdade social e a pobreza. O Brasil, apesar de ser o sétimo país mais rico do mundo, também é o 12º em desigualdade. Ou seja, se colocarmos os 12 países mais ricos ao lado dos 12 mais desiguais, só tem um país que aparece nos dois lados, o Brasil.

Ao apontar “nosso problema”, certamente ele se refere aos bancos e detentores de capital, e não aos problemas de 95% da população brasileira. Para a grande maioria, os gastos sociais, que eles chamam de política fiscal, são a solução de uma vida digna, porque são a única maneira de garantir escola pública de qualidade, saúde universal para todos de qualidade e sem discriminação e principalmente uma aposentaria digna e justa, de forma que todos os brasileiros possam desfrutar e ter uma boa e justa qualidade de vida após terem trabalhado durante um longo período de suas vidas.

O problema da população brasileira é que no orçamento do governo, composto pelos impostos que todos pagamos (e desses quem mais paga são os trabalhadores e não os ricos) são os gastos com juros aos bancos e rentistas, que consomem 50% de toda nossa arrecadação. Em 2017, o governo pagou algo em torno de R$ 570 bilhões de serviços da dívida pública a essa casta de parasitas. Comparativamente, investiu apenas R$ 115 bilhões em saúde, R$ 112 bilhões em educação (com redução de 32% no orçamento de 2018) e R$ 29,3 bilhões no Bolsa Família.

Outro grande problema (nosso, e não deles) é a chamada reforma tributária. O “mercado” pretende reduzir a cobrança de impostos sobre o capital, reduzindo ainda mais o orçamento público, o que afeta diretamente a população, pois diminuirá mais as verbas com  saúde, educação e aposentadorias. A grande questão são as regras de  cobrança de impostos. O nosso problema, e não o deles, é a sonegação do capital, que faz maracutaias e negociatas para não pagar impostos (vide a anistia de multa ao Itaú e Santander). Além do que, nós trabalhadores pagamos muitos  impostos,  que chegam a comprometer 52% da renda de quem ganha até dois salários mínimos. O nosso problema, e não o deles, é que os impostos são regressivos, ou seja, quem ganha menos paga mais e quem ganha mais paga menos.

Sobre a “vontade política” a que o presidente do Itaú se refere, nada mais é do que uma cobrança de fatura, um recadinho velado, já que em sua maioria os deputados e senadores foram financiados por bancos, que querem ganhar mais dinheiro vendendo planos de aposentaria e por empresas de planos de saúde que querem vender mais convênios médicos para  a população.

Nosso problema, e não o deles, são os estratosféricos juros cobrados da polução, que chegam a 400% ao ano no cartão de crédito. Somados às tarifas bancárias, dão aos bancos brasileiros os maiores lucros mundiais.

Qual seria “a costura política” comandada pelos bancos junto aos deputados e senadores, nesse Congresso em que grande parte dos parlamentares está enlameada em corrupção, junto com as grandes empresas?

Portanto, os bancos e essas empresas não falam por nós e não nos representam. Nós, trabalhadores, queremos uma sociedade para todos e não para alguns. Queremos empregos e salários dignos, queremos um governo que gaste nossos impostos com a maioria da população, em especial com saúde, educação e principalmente uma aposentaria que nos devolva a dignidade roubada de sermos cidadãos e cidadãs brasileiros.

É preciso muita luta e mobilização para colocarmos as pessoas em primeiro lugar, e não esse “deus mercado” que se esconde principalmente atrás dos bancos brasileiros.

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