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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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Atacam a homenagem a Lula e liberam os blocos permanentes da extrema direita

“Tentam censurar a escola de Niterói, enquanto a velha direita usa as fantasias e lantejoulas do fascismo”, escreve Moisés Mendes

Atacam a homenagem a Lula e liberam os blocos permanentes da extrema direita (Foto: Divulgação)

Acionaram todos os sinais de alerta porque Lula é tema-enredo da Escola Acadêmicos de Niterói. Lula corre riscos por causa do enquadramento, que pode ocorrer mais adiante, da homenagem como propaganda eleitoral, se o presidente acenar para a porta-bandeira na Sapucaí.

Acionaram, além dos alarmes, todos os cinismos da política. Nos pântanos da extrema direita, grupos de fascistas, reunidos em todas as esquinas do mundo real e virtual, cometem crimes não só eleitorais todos os dias. Mas uma escola não pode contar a história de Lula e dona Lindu.

E assim o Brasil passa a debater se Lula pode ser homenageado no carnaval e se as pessoas nas arquibancadas da Sapucaí podem gritar o nome de Lula. O Brasil debate se Janja pode desfilar na escola que homenageia o presidente.

Enquanto isso, Nikolas Ferreira pode estar preparando a disseminação da próxima fake news. Os filhos de Bolsonaro estão fomentando ódios e difamações e o bolsonarismo estará rindo das regras do TSE para evitar bandidagens nas eleições, enquanto preparam o novo golpe.

No mundo cínico das regras não cumpridas, o fascismo faz o que bem entende, às vésperas e durante as eleições. Mas Lula não pode ser homenageado, porque pode ser campanha antecipada.

A homenagem foi liberada pela Justiça, sob contestação da direita, para que o Supremo não se metesse em censura prévia, mas ficou o alerta: dependendo do que acontecer, vai dar confusão depois.

Os cínicos mais atrevidos tentam comparar a homenagem ao que aconteceu com Bolsonaro no 7 de Setembro de 2022. O chefe da tentativa de golpe, comandando a festa de dois palanques, fez o que foi considerado mais tarde como propaganda ilegal.

Bolsonaro dava, naquele 7 de Setembro, continuidade à preparação do golpe. Mas há juristas e jornalistas segundo os quais a comparação pode ser feita entre o palanque do golpismo e a homenagem de uma escola de samba.

Bolsonaro defendeu que ele era o bem contra o mal, atacou o Supremo e insinuou que uma derrota não seria aceita pelo seu povo. Com o julgamento dos golpistas, sabemos o que estava acontecendo naquele momento e o que viria a acontecer depois da eleição.

Em 2022, os estrategistas de Bolsonaro o levaram a dois eventos, em Brasília e depois no Rio, para que um palanque, o oficial, fosse desconectado do outro, o paralelo. Foi condenado e se tornou inelegível, porque não havia como ficar impune.

Mas a impunidade consagrou a fake news como recurso disponível para líderes do fascismo, facções das redes sociais e tios do zap. Foi o que se viu em 2024 e deve ser aperfeiçoado esse ano.

É fácil prever que teremos mais fake news sobre PIX durante a campanha, produção de conteúdo falso com imagens e falas de adversários do bolsonarismo e todo tipo de difamação. E os especialistas em delitos eleitorais preocupados com o desfile da Acadêmicos de Niterói.

Dedicam-se ao que é mais visível e facilmente combatível e acabam por admitir que quase todo o resto, sob comando do bolsonarismo, é incontrolável. Porque até o carnaval da velha direita passou a usar as fantasias e lantejoulas do fascismo.

O carnaval dos blocos desatinados do bolsonarismo exalta Brilhante Ustra, é permanente e violento. O carnaval de Lula é o que a Acadêmicos de Niterói decidiu mostrar e cantar na avenida. 

O desfile que homenageia Lula exalta dona Lindu, Zuzu Angel, Henfil, Betinho, Vladimir Herzog, Rubens Paiva. Alegoria e fantasia também são memória. Que cada um se fantasie com o que tem.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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