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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Atlas põe Lula perto de fechar no 1º turno

A AtlasIntel não crava vitória de Lula no 1º turno, mas mostra que a hipótese deixou de ser conversa de torcida

Atlas põe Lula perto de fechar no 1º turno (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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O presidente Lula (PT) aparece com chance matemática de vencer a eleição de 2026 já no 1º turno em um dos cenários testados pela AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (19), quando a direita se divide entre Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos e outros nomes, sem Flávio Bolsonaro ou Michelle Bolsonaro na lista.

A pesquisa ouviu 5.032 brasileiros adultos entre 13 e 18 de maio, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06939/2026.

Pela regra eleitoral, vence no 1º turno o candidato que obtiver maioria absoluta dos votos válidos, sem contar brancos e nulos. O próprio TSE explica que, quando ninguém alcança metade mais um dos votos válidos, há 2º turno entre os dois mais votados.

O cenário que acende o alerta na oposição mostra Lula com 46,7%, contra 17% de Zema, 13,8% de Caiado, 8% de Renan Santos, 1,8% de Aldo Rebelo e 1,2% de Augusto Cury. Brancos e nulos somam 6,8%, e 4,6% não sabem.

Na conta dos votos declarados em candidatos, Lula passa de 52%. Esse cálculo não substitui a apuração oficial, porque indecisos ainda podem escolher um candidato, votar em branco, anular ou se abster. Mas a fotografia da AtlasIntel mostra uma hipótese concreta de liquidação no 1º turno se a oposição chegar rachada.

Nos cenários com um Bolsonaro na disputa, a eleição fica mais apertada para uma vitória imediata. Com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula marca 47%, contra 34,3% do senador. Com Michelle Bolsonaro (PL), Lula também tem 47%, contra 25,4% da ex-primeira-dama.

A diferença é política, não apenas matemática. Sem um sobrenome Bolsonaro concentrando o campo da direita, Zema, Caiado e Renan Santos dividem votos entre liberalismo econômico, bolsonarismo institucional e discurso antipolítica. A soma deles não alcança Lula no cenário testado.

O dado também explica por que o caso BolsoMaster virou uma ameaça ao plano de Flávio Bolsonaro. A AtlasIntel perguntou sobre as supostas conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e mediu o efeito eleitoral do vazamento. A pesquisa trata de percepção dos eleitores, não de condenação ou prova judicial.

Segundo o levantamento, 45,1% dizem que a divulgação das conversas enfraqueceu muito a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Outros 19% afirmam que enfraqueceu um pouco. Somados, 64,1% enxergam perda política para o senador.

Flávio Bolsonaro ainda lidera a rejeição entre os nomes testados. Ele aparece com 52% de eleitores que dizem não votar nele de jeito nenhum. Lula vem logo atrás, com 50,6%, seguido de Jair Bolsonaro, com 49,1%, Michelle Bolsonaro, com 45,6%, e Zema, com 42,2%.

A base bolsonarista, porém, não abandonou o senador. Entre eleitores de Jair Bolsonaro, 84,2% defendem que Flávio Bolsonaro mantenha a candidatura, enquanto 12,6% dizem que ele deveria retirar o nome e apoiar outro candidato.

O Planalto também tem fragilidade. A mesma AtlasIntel mostra 51,3% de desaprovação ao desempenho de Lula, contra 47,4% de aprovação. Isso impede leitura triunfalista: a possibilidade de 1º turno existe nos números, mas depende da manutenção da vantagem, da divisão da oposição e da conversão dos indecisos.

Se não fechar no 1º turno, Lula ainda aparece vencendo todos os adversários no 2º turno. Contra Flávio Bolsonaro, o placar é 48,9% a 41,8%. Contra Jair Bolsonaro, 48,5% a 43,4%. Contra Zema, 47,8% a 37,6%. Contra Caiado, 47,5% a 38,5%.

A consequência para o Paraná é direta: se Lula transformar a vantagem nacional em possibilidade real de vitória no 1º turno, os palanques de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado e Requião Filho (PDT) ao governo ganham tração antes da largada formal da campanha.

A direita entra no mesmo quadro com mais problemas que certezas. Ratinho Junior (PSD) tenta organizar a sucessão estadual, Sandro Alex (PSD) busca viabilidade eleitoral, Sergio Moro (PL) disputa espaço no campo bolsonarista e Flávio Bolsonaro chega ferido pelo BolsoMaster.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg não mede diretamente a eleição estadual do Paraná, mas o efeito nacional é político: Lula forte no 1º turno tende a nacionalizar a disputa, empurrar a esquerda para a ofensiva e obrigar a direita paranaense a explicar suas fissuras, seus palanques múltiplos e sua dificuldade de apresentar um eixo único para 2026.

Nesse cenário, Gleisi e Requião Filho podem transformar a força presidencial em organização de base, voto casado e discurso de campo democrático. A direita, dividida entre Palácio Iguaçu, bolsonarismo, Moro e candidaturas próprias, corre o risco de entrar na campanha com muita sigla, muito cálculo e pouca unidade.

A AtlasIntel não crava vitória de Lula no 1º turno, mas mostra que a hipótese deixou de ser conversa de torcida. Quando a direita se espalha, Flávio Bolsonaro sangra no BolsoMaster e Lula mantém 46% a 47% nos cenários testados, a eleição começa a flertar com uma decisão antecipada.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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