Atlas: 51,7% veem Flávio envolvido com Master após conversas com Vorcaro
Conversas com Vorcaro ampliam pressão sobre Flávio e afetam avaliação sobre candidatura presidencial
247 - Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) aponta desgaste político para o senador Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação de áudios e mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o levantamento, 51,7% dos brasileiros que tomaram conhecimento do caso acreditam que o parlamentar está diretamente envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master.
As informações são da CNN Brasil. O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 18 de maio, após a publicação das conversas entre Flávio e Vorcaro, e ouviu 5.032 pessoas por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
De acordo com a pesquisa, 95,6% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento dos áudios e das mensagens atribuídas ao senador e ao ex-banqueiro. O episódio passou a ocupar o centro do debate político depois que o site Intercept Brasil divulgou, na quarta-feira (13), documentos, mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro negocia com Vorcaro um repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da maioria apontar percepção de envolvimento direto do senador no caso Master, 33,3% dos entrevistados consideram que as conversas representam uma tentativa legítima de Flávio Bolsonaro de obter apoio financeiro para a produção do filme. Outros 12,1% avaliam que os diálogos revelam uma relação de proximidade entre o parlamentar e Vorcaro, mas sem comprovação de ilegalidade.
O levantamento é o primeiro de alcance nacional realizado após a divulgação do material. A pesquisa também mediu como os brasileiros percebem a responsabilidade política pelo esquema de fraudes financeiras relacionado ao Banco Master.
Segundo a Atlas/Bloomberg, 43,3% dos entrevistados apontam aliados de Jair Bolsonaro como o grupo político mais envolvido no caso. Outros 32,8% atribuem maior envolvimento a aliados do presidente Lula, enquanto 7,1% mencionam o Centrão. Para 16,1%, todos os grupos estão igualmente implicados.
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro e aliados têm sustentado que as conversas com Daniel Vorcaro foram estritamente profissionais. A linha de defesa também afirma que o vazamento teria sido seletivo e teria como objetivo prejudicar a pré-campanha do senador à Presidência da República.
A percepção registrada pela pesquisa, no entanto, mostra que 54,9% dos brasileiros veem a divulgação das conversas como "evidências obtidas em uma investigação legítima". Outros 33% avaliam que o episódio representa "uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro". Para 9,7%, as duas interpretações têm o mesmo peso, enquanto 2,5% não souberam responder.
O caso também foi medido em relação ao impacto sobre a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Para 45,1% dos entrevistados, a divulgação das mensagens trocadas entre o senador e Vorcaro "enfraqueceu muito" a candidatura. Outros 19% afirmam que o episódio "enfraqueceu um pouco".
A pesquisa mostra ainda que 15% dos entrevistados avaliam que o caso “não afetou a candidatura”. Já 13,4% acreditam que a divulgação das conversas "fortaleceu a candidatura" do senador. Outros 7,3% não souberam avaliar.
Embora a percepção geral seja de desgaste, o impacto direto sobre a disposição de voto aparece mais dividido. Segundo o levantamento, 3,6% declararam estar "menos dispostos a votar" em Flávio Bolsonaro após o episódio, enquanto 9,4% disseram estar "muito menos dispostos a votar".
A maior parcela, 47,1%, afirmou que já não votaria no senador de qualquer forma. Outros 21% disseram que as mensagens "não afetam" sua disposição de voto.
Há ainda um grupo que declarou reação favorável ao senador após a divulgação das conversas. Segundo a Atlas/Bloomberg, 13,7% dos entrevistados afirmaram estar "muito mais dispostos a votar" em Flávio Bolsonaro depois do episódio, enquanto 5,1% disseram estar "mais dispostos a votar".
Durante evento com apoiadores em Florianópolis, poucos dias após a divulgação das conversas, Flávio Bolsonaro apareceu usando uma camisa com o slogan "O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula". A frase se insere na disputa política em torno da narrativa sobre o caso e sobre a responsabilidade de diferentes grupos no episódio.
A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto Atlas e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06939/2026. O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio, por meio da metodologia Atlas RDR, de recrutamento digital aleatório.



