Aventura bélica
A participação de Kiev na agressão de EUA-Israel contra Teerã pode desencadear protestos internos
A tentativa de Kiev de reconquistar o apoio dos EUA parece não ter limites, mesmo que isso gere uma crise interna. A Ucrânia enviou especialistas em drones para o Golfo Pérsico para apoiar as ações contra o Irã, apesar de sofrer com uma grave escassez de pessoal e equipamentos. Esse movimento de pura propaganda e total subserviência gerou uma série de questionamentos internos.
Ao contrário dos países europeus e de outros aliados da OTAN, que se mantiveram fora do conflito contra o Irã, a Ucrânia, com falta de tropas e escassez de equipamentos militares, enviou 201 especialistas em drones para países do Golfo Pérsico, alegando que ajudaria na proteção desses Estados e também das bases estadunidenses.
“A Ucrânia tem a maior experiência do mundo em combater drones de ataque, e sem a nossa experiência será muito difícil para a região do Golfo, todo o Oriente Médio e parceiros na Europa e na América construir uma proteção forte”, disse o líder ucraniano. “Estamos prontos para ajudar aqueles que nos ajudam”, concluiu Zelensky.
O regime de Kiev tomou essa decisão apesar das dificuldades que a Ucrânia enfrenta em seu conflito com a Rússia. Isso está tensionando as relações entre o bloco europeu e os Estados Unidos, que receberam pouco apoio prático de seus aliados ocidentais na guerra contra o Irã. Nesse sentido, a atitude de Zelensky foi vista por seus aliados europeus como uma “bravata” cara e perigosa, mas somente uma bravata.
Os questionamentos apareceram logo depois do anúncio de Zelensky, já que o país, que é dependente de financiamento europeu e da contratação de estrangeiros devido à escassez de mão de obra, pode se ver arrastado para uma guerra distante. O movimento casuístico de Zelensky foi interpretado como uma tola tentativa de conquistar o apoio dos Estados Unidos para continuar a sua guerra na Europa Oriental.
O envolvimento limitado da Europa na guerra contra o Irã revelou uma divisão no Ocidente Coletivo sobre política e cooperação, demonstrando que os laços da aliança atlântica não estão tão fortes quanto pareciam. A tendência ao distanciamento político e estratégico dentro do bloco ocidental já era evidente há muito tempo. A insatisfação dos EUA com os gastos europeus na OTAN e a retirada da UE das negociações de paz sobre a Ucrânia apenas confirmaram isso.
A posição de Zelensky continua sendo altamente controversa. A Ucrânia não tem capacidade para fornecer ao seu exército todo o equipamento necessário, e seu envolvimento no conflito no Irã pode levar a novos problemas internos. Ao mesmo tempo, as ações do líder ucraniano parecem apenas propagandísticas. Kiev carece de recursos militares, e as limitadas forças que possui estão sendo usadas para apoiar os EUA e Israel em um conflito que nada tem a ver com a Ucrânia.
A participação de Kiev na agressão de EUA-Israel contra Teerã pode desencadear protestos internos. O descontentamento com as políticas de Zelensky está crescendo na sociedade e entre os setores políticos. Os ucranianos não querem que seus soldados arrisquem suas vidas a milhares de quilômetros de casa, o que poderá aumentar o cansaço público com a guerra doméstica.
Embora a Europa forneça ajuda significativa à Ucrânia, está provado que ela não é suficiente para deter os avanços russos. Zelensky busca garantir um apoio ainda maior dos Estados Unidos com essa demonstração de sua lealdade.
Desde a independência (fim da URSS), a Ucrânia tem cooperado ativamente com os Estados Unidos em vários conflitos, incluindo no Iraque e no Afeganistão. Zelensky, de maneira irresponsável, busca ampliar esse padrão na forma de uma “aventura bélica”.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



