Bolsonaro, as armas e Reformas como a da Previdência

Ainda não percebemos por completo duas coisas fundamentais em 2019. A primeira delas é que o mito eleito não é o Presidente de fato (embora o seja de direito). A segunda coisa a considerar como elemento tático nessa guerra de narrativas é que os progressistas, os democratas, os desenvolvimentistas, os ativistas sociais e os verdadeiros nacionalistas terão trabalho redobrado

Bolsonaro deu um tiro para o alto, todavia, o alvo, assim que a bala cair, será a cabeça de milhões de brasileiros dependentes de um [in-]justo Sistema de Previdência. A Reforma da Previdência é, sem dúvidas, a primeira maior grande prioridade do governo.

Ainda não percebemos por completo duas coisas fundamentais em 2019. A primeira delas é que o mito eleito não é o Presidente de fato (embora o seja de direito). Bolsonaro foi escolhido, a meu julgamento cheio das ressalvas necessárias, por 4 forças estruturais, a saber, i) os militares entreguistas (não os autênticos brasileiros com farda); ii) uma parte dos empresários (aqueles que compõem um núcleo de ultraliberais); iii) as petroleiras determinantes (Shell, Chevron, Exxon Mobil etc.); e iv) a Inteligência dos EUA, seu serviço secreto - que tem intervido, por etapas, em vários países do mundo, sobretudo, os que buscam uma multi-polarização da geopolítica global.

Feito este resumo, não nos enganemos mais: Bolsonaro não passa de um boneco de ventríloquo do Sistema; um rapazote embriagado pelo vídeo-game de última geração que acaba de ganhar de seus avós (modus status do mito “brincando” de ser poderoso; empolgado).

A segunda coisa a considerar como elemento tático nessa guerra de narrativas é que os progressistas, os democratas, os desenvolvimentistas, os ativistas sociais e os verdadeiros nacionalistas terão trabalho redobrado. Tanto quanto lutar pelos direitos humanos, pela conquista de novos direitos, pela manutenção básica dos direitos adquiridos, precisarão compreender as “pegadinhas” que partem das várias frentes do Governo Mitológico[1].

Isto é, enquanto o núcleo governamental determina à Ministra Damares que produza despautérios como: nessa nova era de Brasil meninos deverão vestir azul e meninas, rosa, portanto, fazendo com que os setores mais modernos da sociedade formem um “exército” (nas Redes, nas Ruas e nas Redações) para contra-atacar as falas da pastora-ministra, os ultraliberais elegem o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) Presidente da Câmara dos Deputados para, no acordo, liderar a aprovação da Reforma da Previdência e a perda de um direito sagrado intergeracional[2] - portanto, décadas de chibatas no lombo do povo brasileiro.

A situação da pseudo-liberação das armas[3] a serem guardadas na gaveta dos brasileiros é a mesma coisa: atira-se para o alto, faz-se um barulho danado, remete a população e os noticiários para esse Decreto improvisado, e no mesmo instante os ruralistas vão conseguindo aprovação de mais veneno nas suas lavouras e menos terras indígenas para a proteção ao Meio Ambiente e à vida (novamente, debate de caráter intergeracional).

Dito isto, é fundamental que a resistência ocorra em dois frontes: no primeiro fazer, por óbvio, a contra-assertiva desse fingido conservadorismo que nos demove ao século 19; pior: ao período da colonização portuguesa. Portanto, discutir os direitos civis da comunidade LGBT e das mulheres é fundamental, entretanto, não ser driblado na ótica das narrativas é essencial. No segundo fronte: colocar todos os líderes de racionalidade civilizatória no Congresso Nacional e dentro das entidades sociais para focar o conjunto de ações do Governo Mitológico que denotem profundo impacto intergeracional e de graves consequências ao todo da sociedade.

Ou apontamos nossas “armas” para estes dois agentes invisíveis (perspectivas) que estão sentados na cadeira da Presidência com uma caneta “Bic” de tinta tóxica e grande poder temporal, ou cairemos num abismo virtual de extra-dimensão pouco compreensível aos olhos do senso comum.

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[1] Por extensão do conceito de “Mito” retirado do Dicionário Aulete da Língua Portuguesa: “Narrativa fantasiosa, simbólica, ger. com elementos sobrenaturais, transmitida pela tradição oral de um povo, e que retrata sua visão de mundo e de aspectos da natureza humana e a forma como explica fenômenos naturais; LENDA; MITOLOGIA”, que atribuo como modelo de governo ao novo Presidente e seus gestos: Governo Mitológico. Uma ressalva: os atos de Bolsonaro são baseados em mitologia de devaneio, entretanto, os fatos são reais e consequentes.

[2] Que atravessa gerações; que não pertence a somente uma geração.

[3] Não é que o Decreto de liberação de até 4 armas assinado pelo Presidente não represente mais um retrocesso civilizatório a nosso País. Todavia, isso se conserta no interstício de um lapso temporal mais curto.

Agora, Reformas como a Deforma Trabalhista apoiada por Bolsonaro, tal política aprofunda a pobreza crônica e amplia desigualdades já tão absurdas no Brasil.

A verdade é que, ao escolher o “Mito”, o povo brasileiro “deu um tiro no próprio pé”. (Desculpem o trocadilho!)

 

 


 

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