Calúnia, difamação e banditismo são os pilares do novo colonialismo dos EUA
'Não há o mais pálido indício de envolvimento de Maduro com o tráfico de drogas. Não há nenhum sentido nessa acusação', escreve o colunista Bepe Damasco
O que menos importa no momento é avaliar as convicções democráticas do presidente Maduro e discutir se as últimas eleições venezuelanas foram legítimas ou não. Até porque compromisso com a democracia não é parâmetro para os EUA na hora de decidir quem deve ser atacado.
Podia citar aqui dezenas de exemplos de regimes ditatoriais que não foram e nunca serão alvo dos EUA. Fiquemos com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, onde não há parlamento, nem eleições e tampouco imprensa livre. Há alguns anos, vamos lembrar, um jornalista foi assassinado e esquartejado, tudo indica por sicários a soldo da família imperial.
Então, só idiotice crônica ou má-fé pode levar alguém a achar que os EUA estavam preocupados se o pleito venezuelano foi fraudado ou não.
Ao voltar suas bombas criminosas para a Venezuela, depois de Trump e assessores do primeiro escalão baterem na tecla de que a América Latina passará a ter centralidade na política de defesa dos EUA, o império decadente visa roubar as maiores reservas de petróleo do planeta e, por tabela, tentar reduzir a influência da Rússia e da China na região.
Trump inclusive assumiu, sem rodeios, esse objetivo durante entrevista depois do bombardeio e do sequestro do presidente Maduro e da primeira dama.
Como abomina o multilateralismo, Trump aposta na dilapidação dos princípios básicos que regem o direito internacional e age literalmente como um gângster. Para ele, não existe ONU, OEA ou Tribunal Penal Internacional.
Imagina se criminosos do seu calibre se preocupam em respeitar leis, acordos, tratados e convenções?
A novidade é o coelho tirado da cartola, que atende por uma palavrinha mágica: "narcoterrorismo". Quase cem pessoas foram assassinadas no Caribe pelas forças de segurança estadunidenses sob a acusação sem qualquer prova, nem mesmo indício de prova, de serem narcotraficantes.
Atropelando fundamentos inegociáveis do direito, como o da ampla defesa e da presunção de inocência, Trump se comporta como policial, promotor, juiz e carrasco.
A mesma acusação mentirosa e difamatória de narcotraficante vinha sendo usada como um mantra pela Casa Branca em relação a Maduro, com o intuito de criar o clima para a investida militar terrorista perpetrada na madrugada deste sábado contra um país independente e soberano.
Não há o mais pálido indício de envolvimento de Maduro com o tráfico de drogas. Não há nenhum sentido nessa acusação. Mas a mentira e a calúnia são molas mestras da atuação da extrema direita de hoje ao redor do mundo.
A pergunta que não quer calar é: qual será o próximo governante de esquerda a ser tachado de narcoterrorista?
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




